Os bons terão sempre lugar no jornalismo

Antigo director da Televisão de Cabo Verde, Daniel Medina é Professor Doutor da Universidade Lusófona de Cabo Verde (ULCV), no curso de Ciências da Comunicação. Jornalista, cronista de rádio e jornal, comentador da televisão, Medina é um comunicador nato. Nha Terra Online foi conhecer o autor de Pela Geografia do Prazer que se prepara para lançar novo livro no mercado e saber a sua opinião sobre o jornalismo caboverdiano, a sua vida de docente, entre outras questões.

Banalização da Profissão de Jornalismo em Cabo Verde

Em vários artigos nossos publicados em Cabo Verde temos vindo a alertar o Governo e aos cidadãos, pela degradação galopante do nosso “jornalismo”. Colocamos aqui a palavra jornalismo entre aspas, porque em nosso entender não existe o jornalismo cabo-verdiano.

Diversidade de Cursos na Comunicação

Uma das causas apontadas para menos vestibulandos interessados em Jornalismo é o número de opções relacionadas à comunicação. Muitos com vocação para cinema e fotografia, por exemplo, acabavam no curso por falta de opção. Existem alguns cursos de graduação e de tecnologia que podem estar por trás do fenômeno.

Como fazer um Resumo

O resumo é uma forma de reunir e apresentar por escrito, de maneira concisa, coerente e frequentemente selectiva, as informações básicas de um texto pré-existente. É a condensação de um texto, pondo-se em destaque os elementos de maior interesse e importância.

Bibliotecas Virtuais

grande referência na área de bibliotecas virtuais, com os sites mais importantes para informação e comunicação sobre ciência e tecnologia

quinta-feira, novembro 18, 2010

Oração de Sapiência - José Vicente Lopes


Respondendo a um inesperado e por isso surpreendente convite da minha amiga Iva Cabral, a que não pude recusar dado o afecto e a estima que tenho por ela, eis-me perante vós – caros professores, alunos e convidados desta universidade - para a minha primeira aula ou lição de sapiência.

Esta é – acreditem – uma situação que jamais me passou pela cabeça, afastado que me encontro do mundo académico ou universitário, entrincheirado que estou no meu mundo profissional, o jornalismo.

Porém, desafio feito, desafio aceite – , eis-me, pois, senhoras e senhores, convidados, alunos e professores desta universidade, cujo pólo tem como patrono a figura ilustre de Baltasar Lopes da Silva, para discorrer sobre dois ou três temas na expectativa de que as minhas palavras possam interessar, pelo menos, a uns quantos, sem darem por perdido o seu precioso tempo.

Antes de mais, o que tenho a dizer não passa à margem da figura do vosso patrono, Baltasar Lopes da Silva, nem de vários outros homens como ele, cabo-verdianos, que acreditaram nestas ilhas, contribuindo com o seu engenho e arte, em todos os sentidos, para o engrandecimento deste nosso arquipélago e país. Um engrandecimento – diga-se – que prossegue ainda hoje, como não poderia deixar de ser, não fossemos nós herdeiros desses homens e mulheres que ajudaram a moldar os valores civilizacionais em que se encontra assente esta nossa sociedade.

Como outros países, mas este em particular, Cabo Verde é fruto da persistência ou, se se quiser, da teimosia das suas gentes. Colocados num contexto tão duro e agreste, eis-nos aqui no ano em que se assinala os 550 anos do achamento/descoberta destas ilhas e 35 anos da nossa independência nacional.

Somos, como disse Ovídio Martins, o povo que aprendeu “com o vento a bailar na desgraça”. Antes, aí por volta de 1950, já Jorge Barbosa havia dito (ou reclamado) que ser cabo-verdiano custa. As razões dele não terão sido certamente as nossas, embora comum seja o nosso destino de ilhéus, de gente marcada pela insularidade e com tremenda fome de mundo. Somos gente que não poucas vezes precisa de andar pelo mundo para aprender a valorizar e amar o seu país natal.

Inventivo, como são os povos que tem um quotidiano tão difícil como o nosso, são várias as formas que buscamos para matar a nossa fome de mundo, sendo uma delas, talvez a mais importante de todas, a educação. Porque é pela educação e pela formação que se nos abrem muitas portas, a começar pelo conhecimento, sem o qual nenhum progresso é possível.

Felizmente, a educação em Cabo Verde, em particular nesta ilha de S.Vicente, é de há muito o principal meio de se lutar contra a pobreza e, mais do que isso, ampliar os horizontes para além das fronteiras destas nossas ilhas. Foi pela educação que os nossos pais intuíram que nós, seus filhos, poderíamos ter uma vida melhor que a deles, indo mais longe, em todos os sentidos. Em casa, por exemplo, cedo aprendi que “estudo é riqueza de pobre” e em nome desse princípio sacrossanto todos os sacrifícios foram consentidos para a minha formação e dos meus irmãos.

Herdeiros dessa tradição, é também pela educação que procuramos hoje garantir o futuro dos nossos descendentes.

Por esta mesma razão vocês, alunos, estão aqui.

Por esta mesma razão é comovedor ver como as nossas cidades se enchem de manhã, à tarde e até à noite, de crianças, adolescentes e adultos a caminho ou de volta do local de saber que são as nossas escolas, liceus e universidades. Ao ponto de, às vezes, me perguntar o que seria do mundo, e de Cabo Verde em particular, se não fossem as escolas.


Recebendo uma medalha de Manuel Damasio

Mede-se e estuda-se tudo hoje em dia, estranhamente, para um país que tem na educação um dos seus pilares – a par da saúde e da cultura – talvez não seja de todo uma asneira um estudo sobre o peso que o sector educativo tem para a formação do nosso PIB. Afinal, são milhares de pessoas que gravitam economicamente em torno deste sector – basta ver o número de professores e alunos que é preciso formar, transportar, alimentar, vestir, livros e materiais didácticos que é preciso produzir e vender, etc., etc., para ver que afinal não é de toda despicienda essa minha ideia acerca do peso que a educação tem na formação da nossa economia.

A aposta na educação é, felizmente, o principal trunfo de Cabo Verde, especialmente, quando comparado com outros povos do nosso continente, com muitos mais recursos que nós e hoje em patamar de desenvolvimento inferior ao nosso.

Esse trunfo – a educação ou o investimento nos recursos humanos – faz parte daquilo que costumo denominar “factor Cabo Verde” que, mais do que uma realidade física, é acima de tudo uma realidade humana e civilizacional. Felizmente, os sucessivos governos que Cabo Verde já teve nestes 35 anos de independência perceberam e se deram conta disso, daí os investimentos que foram sendo feitos no sector ao longo de todos estes anos.

Por outras palavras, se Cabo Verde é tido como um study case, um exemplo do país que deu certo, deve-o em grande parte à aposta acertada na valorização dos nossos recursos humanos. Por outras palavras, se Cabo Verde é o que é deve-o em grande parte também à qualidade dos políticos que teve porque, diga-se também, eles foram também, como nós, frutos desta sociedade que há muito aprendeu que estava na educação e na formação a chave para uma vida melhor para novas gerações então a caminho. E aqui que se me permita apontar o exemplo da avó da nossa Iva Cabral, mãe de Amílcar, nha Iva, mulher simples que fazendo das tripas coração tudo fez, nesta ilha de S.Vicente, para educar o filho Amílcar, esse modelo de homem e politico para a maioria de nós todos.

*
Meus caros
Esta nossa ilha, S.Vicente, mais do que nenhuma outra ilha de Cabo Verde, vive o que para muitos parece ser um tempo de desesperança. Com o desemprego em torno dos 20 por cento – e onde há desemprego há pobreza – sendo a maioria dos desempregados jovens, que dizer nesta hora difícil a esta plateia predominantemente jovem sem cair na heresia do optimismo fácil ou barato?

Acreditem: apesar de todas as dificuldades, cada um de vocês está a viver um momento particular da vossa vida, um momento de transição, entre – digamos – , a idade da busca e a idade da razão.

Quem já passou por uma universidade sabe de que falo. E quem, como vós, dá agora os seus primeiros passos começa a pressentir que a universidade é, não poucas vezes, apenas um lugar de busca do conhecimento, mas a antecâmara para um desafio maior que é a sobrevivência e a busca do sucesso no mercado de trabalho.

É preciso que tenhamos em conta, entretanto, que a universidade não nos dá tudo; dá-nos, no máximo, as ferramentas para aquilo que almejamos ser. Somos nós próprios que, movidos pela inquietude, temos de ir à busca das respostas para muitas das nossas dúvidas e angústias. É, pois, este o mundo que ireis enfrentar, primeiro dentro do espaço universitário, onde, em situação de crise tereis o professor para vos coordenar, e depois, na vida real, onde o vosso principal tempo será o conhecimento adquirido.

Por isso, é preciso que abracemos a oportunidade de seguir um curso universitário não como um meio de, meramente adquirir um diploma, não importando a forma como cheguemos a ele.

Para que façamos realmente a diferença, num mercado que começa a mostrar-se saturado em termos de ofertas de licenciados, é preciso que a universidade seja, realmente, um espaço de aprendizagem e descoberta, de modo a que o resultado disso possa ser utilizado para melhorar a nossa realidade social e não só.

*

Normalmente, temos a tendência de achar que os jovens não se interessam por uma série de assuntos, que são apáticos... Acusamo-los de desconhecer a história do seu país, de não se interessarem pelos assuntos da sua comunidade, enfim, de não comungarem ou não terem o mesmo entusiasmo das causas que moveram os seus pais.

Nos esquecemos, amiúde, que fomos os jovens de ontem e que os jovens de hoje serão os velhos de amanhã, e nesta ordem de ideias é bem provável os velhos amanhã venham a ter muito que lamentar e reclamar contra os jovens de amanhã.

Nesta espécie de eterno retorno, a roda do tempo a que todos estamos sujeitos, atribuímos ao mesmo tempo aos jovens a capacidade de serem agentes da mudança, talvez porque menos agarrados ao passado e não poucas vezes ao presente, isso leva-os a desafiar o futuro com muito mais facilidade e naturalidade.

*
E voltando à situação em que vive São Vicente, é preciso que o vosso saber se traduza, num futuro próximo, em respostas para a solução sustentada dos problemas de uma ilha que já viveu tempos de glória, tanto em matéria de economia, quanto cultural e social, e que hoje parece um tanto desnorteada, frustrada, desanimada… Assim, antes de culparem os outros pelos vossos insucessos, procurem, nas vossas respectivas áreas de aprendizagem, projectos realizáveis quando saírem da universidade, para que sejam patrões de vocês mesmos, e não dependam do emprego público, cada vez mais raro entre nós.

Numa realidade de crise em que o mundo e nós, em particular, precisamos reinventar o desenvolvimento sustentado, todos nós ¬- inclusive vocês jovens - , somos desafiados a dar o melhor de nós próprios, sempre na busca da tal diferença que faz a diferença, permitam-me o pleonasmo. Pois, é nessa diferença que reside – quem sabe – o trunfo de cada um na hora de disputar o seu lugar ao sol.

*
E, finalmente, para terminar, como disse no princípio, esta é a minha primeira lição ou aula de sapiência. A haver mais, espero bem que a próxima seja bem mais sapiente do que esta. A todos desejo um bom ano lectivo, cheio de novos conhecimentos e conquistas.





























Universidade Lusófona, Mindelo, 16-11-10








Momentos

Dia da Universidade Lusofona de Cabo Verde

A 16 de Novembro de 2010 foi comemorado o dia da ULCV no Auditório Professor Manuel Damásio. Estiveram presente várias individualidades do mundo académico e não só, bem como de diversos alunos e professores.

 
Montenegro Fiuza / Administrador da ULCV
 Montenegro Fiúza – Administrador da ULCV
“A Universidade Lusófona de Cabo Verde não é lugar para ambições menores. Para este ano lectivo apostamos no crescimento do número de alunos e na qualidade do corpo docente. Estamos a dar passos na busca da excelência. Os estudantes que acreditaram são a razão fundamental para continuarmos esse caminho.”


Manuel Almeida Damasio - PCA do Grupo Lusofona
Manuel de Almeida Damásio – PCA do Grupo Lusófona
“Salientamos os esforços na produção do conhecimento para que o país seja mais moderno e democrático.”

                                          




Iva Cabral - Reitora da ULCV

Iva Cabral – Reitora da ULCV
“Abrimos as portas do saber e do espírito crítico de muitos caboverdeanos criando as bases de um país independente. O nome de Baltasar Lopes da Silva é um nome difícil e honroso de carregar. Devemos conseguir criar o espírito universitário, organizando palestras, seminários e a investigação. Uma boa Universidade deve inculcar nos alunos o espírito crítico. Isso pode ser construído nesta Universidade porque matéria-prima nós temos: alunos, professores e o grupo Lusófona.”


Jose Vicente Lopes - Sapientissimo Orador

José Vicente Lopes – Sapientíssimo Orador
“É pelo estudo que procuraremos saciar a nossa fome do Mundo. A aposta na educação é o trunfo de Cabo Verde. Este factor Cabo Verde mais do que uma realidade física é uma realidade civilizacional. A Universidade não nos dá tudo, só as ferramentas para enfrentar o mundo de trabalho. Para que faça a diferença num mercado saturado é preciso marcar a diferença, com capacidade de ser agente de mudança. É preciso que o vosso saber se torne no motor duma ilha que já foi mais desenvolvida.”
Aristides Lima - Presidente da Assembleia Nacional de CV
Aristides Lima – Presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde
“Quero felicitar a Lusófona pela aventura em Cabo Verde para formação dos alunos. Também prestar homenagem à vontade do saber do povo de Cabo Verde que se corporizou na figura de Baltasar Lopes da Silva e Amílcar Cabral. Desejo que a Lusófona continua a afirmar-se como uma luz de sabedoria em Cabo Verde e também para os povos da comunidade de língua portuguesa.”



daivarela

quinta-feira, novembro 04, 2010

Falando de planos...

sexta-feira, outubro 29, 2010

PROGRAMAÇÃO MULTIMEDIA - Programa


Ciências da Comunicação (Especialização em Audiovisual e Multimédia) - 3.º ano

Docente: Carla Presa



PROGRAMAÇÃO MULTIMEDIA


OBJECTIVOS:

• Construção de páginas de Internet;

• Dar ao aluno conhecimentos necessários para projectar, criar, publicar e efectuar manutenção
de páginas para a Internet;

• Adquirir capacidades em linguagens de programação para web;

• Domínio do editor de HTML Dreamweaver.


CONTEÚDOS:

• Noções básicas sobre a Internet;

• Planeamento e configuração da estrutura de um site. Acessibilidade. Usabilidade.
Navegabilidade;

• Aprendizagem de como executar/transformar imagens para a web. Resoluções de formatos digitais;

• Visionamento e análise crítica de diversos layouts para web. Exemplos de trabalhos profissionais do panorama nacional e internacional;

• HTML, CSS, XML, xHTML, Javascript.

OPERAÇÃO DE CÂMERA E VIDEO I: Programa




Ciências da Comunicação (Especialização em Audiovisual e Multimédia) - 3.º ano

Docente: Carla Presa


OPERAÇÃO DE CÂMARA E VÍDEO I OBJECTIVOS:

• Criar e desenvolver aptidões técnicas para a utilização correcta e metódica do material recolhido, bem como da ferramenta de trabalho;

• Familiarizar o aluno com os principais conceitos e métodos da área de vídeo, desenvolvendo uma base analítica e criativa, sentido critico e autonomia;

• O objectivo desta disciplina é ensinar o aluno a criar e a desenvolver um projecto de vídeo:
- tipo de projecto;
- construcção da narrativa;
- captação, recolha, tratamento e selecção de imagens e vídeos;
- captação, produção e tratamento de áudio;
- edição de vídeo.


CONTEÚDOS:

• Introdução e contextualização das diferentes ferramentas e instrumentos de trabalho que irão ser utilizados;

• Aprendizagem de conceitos e nomenclatura da linguagem audiovisual;

• Aprendizagem e exploração da câmara de filmar e suplementos;

• Conhecimento de diferentes tipos de projectos, regras e princípios (notícia, reportagem, vídeo institucional, anúncio, etc.);

• Conhecimento dos diversos canais de transmissão. Adequação do projecto ao canal de transmição;

• Construção da narrativa. A“Timeline”;

• Compreender e explorar a ferramenta de trabalho;

• Captura e importação de vídeo;

• Desenvolver conhecimentos de montagem de vídeo com imagem e som;

• Adquirir conhecimentos de composição e edição de vídeo;

• Visionamento, análise e reflexão crítica de diversos exemplos de trabalhos profissionais do panorama nacional e internacional (excertos de filmes, reportagens, vídeos institucionais, videoclips, curtas);

• Compreender e explorar as ferramentas de trabalho de áudio e imagem;

• Inserção de elementos gráficos desenvolvidos na ferrementa Adobe Photoshop;

• Captura, importação e exportação de áudio;

• Inserção de áudio produzido/ modificado na ferramenta Adobe Audition;

• Legendagem, oráculos, criação de fichas técnicas e genéricos;

• Exportação de diferentes projectos para diversos meios: cinema, televisão, publicidade e internet.

Renaissance Europe: Donatello

Falando de Renascimento

As obras renascentistas foram marcadas pela riqueza de detalhes
e a reprodução de traços humanos.


O Renascimento foi um importante movimento de ordem artística, cultural e científica que se deflagrou na passagem da Idade Média para a Moderna. Em um quadro de sensíveis transformações que não mais correspondiam ao conjunto de valores apregoados pelo pensamento medieval, o renascimento apresentou um novo conjunto de temas e interesses aos meios científicos e culturais de sua época. Ao contrário do que possa parecer, o renascimento não pode ser visto como uma radical ruptura com o mundo medieval. 

A razão, de acordo com o pensamento da renascença, era uma manifestação do espírito humano que colocava o indivíduo mais próximo de Deus. Ao exercer sua capacidade de questionar o mundo, o homem simplesmente dava vazão a um dom concedido por Deus (neoplatonismo). Outro aspecto fundamental das obras renascentistas era o privilégio dado às ações humanas ou humanismo. Tal característica representava-se na reprodução de situações do cotidiano e na rigorosa reprodução dos traços e formas humanas (naturalismo). Esse aspecto humanista inspirava-se em outro ponto-chave do Renascimento: o elogio às concepções artísticas da Antiguidade Clássica ou Classicismo. 

Essa valorização das ações humanas abriu um diálogo com a burguesia que floresceu desde a Baixa Idade Média. Suas ações pelo mundo, a circulação por diferentes espaços e seu ímpeto individualista ganharam atenção dos homens que viveram todo esse processo de transformação privilegiado pelo Renascimento. Ainda é interessante ressaltar que muitos burgueses, ao entusiasmarem-se com as temáticas do Renascimento, financiavam muitos artistas e cientistas surgidos entre os séculos XIV e XVI. Além disso, podemos ainda destacar a busca por prazeres (hedonismo) como outro aspecto fundamental que colocava o individualismo da modernidade em voga. 

A aproximação do Renascimento com a burguesia foi claramente percebida no interior das grandes cidades comerciais italianas do período. Gênova, Veneza, Milão, Florença e Roma eram grandes centros de comércio onde a intensa circulação de riquezas e idéias promoveram a ascensão de uma notória classe artística italiana. Até mesmo algumas famílias comerciantes da época, como os Médici e os Sforza, realizaram o mecenato, ou seja, o patrocínio às obras e estudos renascentistas. A profissionalização desses renascentistas foi responsável por um conjunto extenso de obras que acabou dividindo o movimento em três períodos: o Trecento, o Quatrocento e Cinquecento. Cada período abrangia respectivamente uma parte do período que vai do século XIV ao XVI. 

Durante o Trecento, podemos destacar o legado literário de Petrarca (“De África” e “Odes a Laura”) e Dante Alighieri (“Divina Comédia”), bem como as pinturas de Giotto di Bondoni (“O beijo de Judas”, “Juízo Final”, “A lamentação” e “Lamento ante Cristo Morto”). Já no Quatrocento, com representantes dentro e fora da Itália, o Renascimento contou com a obra artística do italiano Leonardo da Vinci (Mona Lisa) e as críticas ácidas do escritor holandês Erasmo de Roterdã (Elogio à Loucura). 

Na fase final do Renascimento, o Cinquecento, movimento ganhou grandes proporções dominando várias regiões do continente europeu. Em Portugal podemos destacar a literatura de Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno) e Luís de Camões (Os Lusíadas). Na Alemanha, os quadros de Albercht Dürer (“Adão e Eva” e “Melancolia”) e Hans Holbein (“Cristo morto” e “A virgem do burgomestre Meyer”). A literatura francesa teve como seu grande representante François Rabelais (“Gargântua e Pantagruel”). No campo científico devemos destacar o rebuliço da teoria heliocêntrica defendida pelos estudiosos Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Giordano Bruno. Tal concepção abalou o monopólio dos saberes desde então controlados pela Igreja. 

Ao abrir o mundo à intervenção do homem, o Renascimento sugeriu uma mudança da posição a ser ocupada pelo homem no mundo. Ao longo dos séculos posteriores ao Renascimento, os valores por ele empreendidos vigoraram ainda por diversos campos da arte, da cultura e da ciência. Graças a essa preocupação em revelar o mundo, o Renascimento suscitou valores e questões que ainda se fizeram presentes em outros movimentos concebidos ao logo da história ocidental.


Texto escrito em Português do Brasil
Fonte: http://www.brasilescola.com/historiag/renascimento.htm

Sobre Donatello



Quem foi

Donato di Niccoló di Betto Bardi, mais conhecido apenas por Donatello, foi um importante escultor italiano do período do Renascimento Cultural. Nasceu em 1386, na cidade de Florença, e morreu em 1466 na mesma cidade.

Biografia e obras principais

Filho de um tecelão de lã chamado Nicolo di Betto Bardi, Donatello foi educado na casa da família Martelli. Seus primeiros conhecimentos artísticos vieram do treinamento que recebeu numa oficina de ourives. Trabalhou também, ainda na juventude, um curto período de tempo na oficina do artista Lorenzo Ghiberti.

Esteve em Roma no começo do século XV e estudou a arquitectura de vários edifícios romanos, além do Panteão.


Em 1405, Donatello retornou para Floreça e deu início a uma série de trabalhos. Fez duas pequenas estátuas de profetas para a Catedral de Florença. Em 1408, trabalhou na elaboração do Duomo de Florença, participando com a escultura "Davi", feita em mármore.

No ano de 141, terminou um de suas grandes obras, a estátua de "São João Evangelista". Exposta no portal central do Duomo, esta obra destacou-se por sua composição clássica e humana, sendo que foi realizada com estudos anatômicos.

Em 1417, terminou a escultura de "São Jorge" que havia sido encomendada pela guilda dos artesãos que fabricavam armaduras.

Em 1423, realizou uma outra importante obra, a escultura de "São Ludovico em Tolosa".

Entre os anos de 1415 e 1426 fez cinco esculturas para o Duomo: "O Profeta imberbe", "O Profeta barbudo", "O Sacrifício de Isaac", "Profeta Abacuc" e "O Profeta Jeremias".

Entre os anos de1425 e 1427 trabalhou junto com artista plástico Michelozzo na produção do Battistero, monumento fúnebre do Papa João XXII. Neste trabalho, Donatello esculpiu em bronze o corpo do papa morto.

No começo da década de 1430, fez importantes trabalhos na cidade de Roma. Esculpiu, para a Basílica de São Pedro, o "Tabernáculo do Sacramento" (obra que terminou em 1433).

Entre os anos de 1437 e 1443, trabalho na porta da Igreja de São Lourenço. Esculpiu “Apóstolos”, “Cosme e Damião”, “Mártires” e “Doutores da Igreja”.

Entre os anos de 1443 e 1450, elaborou mais uma grande obra. Foi para a cidade de Pádua esculpir uma estátua equestre, em mármore, de Erasmo de Narni, conhecido como Gattamelata. Donatello usou como inspiração desta obra a estátua equestre de Marco Aurélio em Roma.

HISTÓRIA E TEORIA DA FOTOGRAFIA



PROGRAMA

Professora: Maísa Vieira

Objectivos (competências do aluno):

Identificar e analisar o papel da fotografia ao longo da sua história.


Conteúdos Programáticos:

1.Algumas notas para uma arqueologia do olhar moderno

1.1. O movimento de geometrização do olhar.

A perspectiva artificial do Quatrocentto ; Outros mecanismos de reprodução da verdade do visível (câmaras lúcidas; câmaras obscuras, Janelas quadriculadas, etc ) ; as imperfeições da mão, demasiado humana, e os augúrios do mecânico e de uma visão “corrigida” e protésia ; Perscrutar o visível e os seus limites : as lentes, os telescópios, os microscópios e outros aparelhos da pulsão escópica ; Os discursos legitimadores da verdade do visível : o discurso científico (Descartes, Huygens, Kepler, Bacon , Leibniz).

1.2. A invenção da Fotografia.

Os princípios mecânicos e químicos da fotografia e os primeiros inventores e fotógrafos: Daguerre, Henri-Fox Talbot, Nadar, Disderi; Uma imagem que se faz a si mesma : as magias da reprodução mecânica e o surgimento do novo e dos seus espantos. Uma visão detalhada.


2. Os usos da Fotografia.

2.1. A Fotografia e a vida Moderna no final do século XIX.

Dos primeiros retratos dos burguedes à democratização da “apresentação de si” , A contestação do valor artístico da fotografia : separação entre indústria e arte (Baudelaire, Delacroix) ; O principio do fim da teoria mimética da arte: o caminho para o abstraccionismo ; Fotografia e Impressionismo; A Obra de Arte na era da sua reprodutibilidade técnica : reflexão em tomo do famoso texto de Walter Benjamin (bem como de outros textos seus, tais como “Pequena história da fotografia” e o inacabado Das Passagenwerk).

2.2. Os usos disciplinares da fotografia.

A fotografia criminal segundo os métodos de Bertillon; A fotografia médica de Charcot; O dispositivo fotográfico e a sujeição dos corpos : reflexão em torno de algumas relações do fotógrafo e do político. Michel Foucault e o panóptico como dispositivo disciplinar (Vigiar e Punir).

2.3. O nascimento do fotojornalismo.

Alguns precursores : Sander, Brichh Salomon, Roger Fenton; O lugar da fotografia no jornal: os repórteres fotográficos de alguns grandes jornais, o aparecimento das agências de imagem : o caso da Magnum ; A fotofrafia de guerra.

2.4. Cultura de Massas e Fotografia.

A visão como consumo através da visão; Pulsão escópica e dinheiro; O Punctum fotográfico: a Câmara Clara (Roland Barthes) e a Câmara Obscura – inconsciente fotográfico (Vaccari).


3. Apontamentos sobre o estatuto semiótico da fotografia.

3.1. Índice, Ícone e Símbolo a partir de Charles S.Peirce.

3.2. A evidência do quotidiano e a fotografia como prova: um modelo detetivesco da fotografia (segundo E.R. Oliveira).


Metodologia:

As actividades em sala de aula serão desenvolvidas da seguinte forma:

Aulas expositivas, com exemplos práticos .


Avaliação:

Seminários, Avaliações periódicas e apresentação de trabalhos, peso 50.

Provas em sala de aula peso 50.

Datas de entrega e critérios de avaliação especificados no material das ACTIVIDADES DE AVALIAÇÃO.


Bibliografia


Adorno, Teoria Estética Ed.70

Barthes,Roland, A Câmara Clara , Edições 70, Lisboa , 1979.

· Baudrillard, Jean, A Sociedade de Consumo, Ed.70, 1980.

· Baxandall, L’Oleil du Quattrocentto, Paris, Ed. Gallillée, 1985.

· Bazin, André, O que é o Cinema? Ed. Horizonte.

· Benjamin, Walter, Filosofia, História, Linguagem e Política, Lisboa, Relógia d’ Água.

· Bordieu. Pierre, Un Art Moyen, Minuit.

· Charcot, J.M., e Richter, P., Les Démoniaques dans l’art, Mçula, Paris, 1984.

· Damish , L´origine de la perspective, Paris, Champs/ Flammarion, 1987.

· Debray, Régis, Vie et Mort de l ‘ image, Une histoire du regard en occident, Paris, Gsllimard, 1992.

· Deleuze,Gilles, Cinéma 1 : L´ imagem – Mouvement, Minuit , Paris, 1983.

· Deleuze, Gilles , Cinéma 2 : L’ image – Temps , Minut, Paris, 1985.

· Descartes, Réné, Oeuvres Philosophiques – Tome 1 , Garnier Fréres , Paris, 1963.

· Didi – Huberman , Georges, L´invention de la Hystérie : Charcot et l’ iconographie Photographique de la Salpêtrière , Macula , Paris , 1982.

· Dubois , Phillipe, O Acto Fotográfico , Vega Editora.

· Foucault , Michel, L´ ordre do Discours, NRF – Gallimard, Paris, 1974.

· Foucault Michel, Naissance de la Clínique , NRF – Gallimard, Paris, 1975.

· Foucault , Michel, Surveiller et Punir, NRF – Gallimard, Paris, 1975.

· Frade, Pedro M.,Figuras do Espanto, A Fotografia antes da sua cultura , Lisboa, Ed Asa,1992.

· Freund, Gisélle, Fotografa e Sociedade , Lisboa, Veja Editora.

· Gernsheim, Helmut e Alison, History of Photography, London, 1969.

· Newhall, Beaumont, The Daguerreotype in AMERICA, N.Y. 1961.

· Panofsky, Erwin, A Perspectiva como forma simbólica, LIisboa, Ed.70.

· Platão, A Républica, Ed. Calouste Gulbenkian.

· Sotag, Susan, Ensaios sobre Fotografia, D.Quixote, 1986.

· Vaccari, Fraco , La photographie et l’ inconscirnt technologique, Créatis, 1981.

· Virilio, Paul, La Machine de Vision , Paris, Gallillée, 1988.


quinta-feira, setembro 16, 2010

Universidade de Santiago abre curso de Comunicação Social


A Universidade de Santiago (US) tem um novo curso. Trata-se da licenciatura em Comunicação Social, que segundo o Vice-Reitor, Fernando Jorge já tem luz verde da Direcção-Geral do Ensino Superior, para a sua criação. O curso terá duas vertentes: jornalismo e comunicação empresarial que, em principio, funcionará em dois períodos: diurno e pós-laboral.

Para ministrar esta licenciatura, a US conta com um corpo docente de doutores e mestres nacionais e estrangeiros. Brasil, Portugal e Estados Unidos da América são nacionalidades donde virão alguns professores, sem contar, é claro, com os académicos nacionais.

Neste momento, as inscrições estão abertas e “dependendo do número de inscritos, o curso será ministrado na US em assomada e no Pólo da Praia, a funcionar no Seminário de São José em Prainha”, explica Fernando Jorge reconhecendo que Cabo Verde tem muito bons jornalistas mas que precisamos, entretanto inculcar, no seio dos jornalistas, um espírito mais critico.

“A componente teórico-prático é fundamental, para o exercício duma profissão tão nobre, para o desenvolvimento do País, quanto é o jornalismo” defende aquele académico que acredita que o jornalismo de investigação passa, necessariamente, por uma sólida formação universitária assente nos conhecimentos teóricos, aliados a praticabilidade da profissão.

Fonte: Liberal Online

segunda-feira, agosto 02, 2010

GOVERNAÇÃO E LIBERDADE DE IMPRENSA


Francis Balle, sociólogo francês, já tinha dito que se “deve evitar o controlo estatal da comunicação social, na medida em que ele permite que alguém tenha o monopólio da verdade. E quem consegue monopolizar a verdade atinge o absoluto, não podendo ser contrariado, já que se assume como o único que sabe tudo

Muitas vezes, ou na maior parte das vezes, existe uma relação contraditória entre a media, o Governo e a sociedade civil. Muitos políticos olham para a imprensa como instrumento do Governo, não como uma força independente emanada do Povo. Alguns têm a arte de seduzir a imprensa, outros de criticá-la.

O governante moderno já compreendeu que, para uma governação mais eficiente, precisa dos media para chegar ao povo. Falta é a exigência de um respeito mútuo entre as partes (media e política) e perceber que não são aliados, mas adversários. Cada um tem o seu lugar no nosso esquema político.

O Governo rege o País e o media tenta descobrir tudo o que se passa nesse sistema. “É da natureza de uma democracia florescer através do conflito com a imprensa e o Governo, sem ser consumida por esse mesmo conflito” - Bill D. Moyers

O jornalismo cabo-verdiano evoluiu muito, desde 1842, aquando da publicação do primeiro Boletim Oficial. Temos hoje uma proliferação de meios de comunicação social no País. Temos uma televisão estatal, muito contestada por quase todos os sectores da sociedade; temos televisões privadas que não trouxeram nada de novo ao panorama nacional - são mais canais de entretenimento do que estações que se dedicam a um jornalismo sério. Temos jornais impressos que são conotados com partidos políticos, ou seja, quando queremos ver falar mal de um partido, compramos um jornal, e se queremos ver as notícias más sobre o partido B, compramos o jornal C. A nível radiofónico, o País está melhor servido, tanto a nível da diversidade, como quanto ao alcance que as radios atingem. Os jornais on line são o mesmo dos impressos, a nível de conteúdo; e temos ainda os blogs, onde podemos encontrar opiniões de cidadãos comuns sobre a actualidade crioula.

Em Cabo Verde, como noutras paragens, é cada vez mais comum, os meios de comunicação serem propriedade de grupos económicos limitados. Esta concentração da propriedade dos meios comunicação social num reduzido número de grupos económicos, pode ameaçar o poder de intervenção no espaço público e manter nas mãos de um clube restrito a capacidade de recolher, tratar e difundir a informação. Outra consequência dessa concentração é a maximização do lucro, emagrecendo as redacções com políticas de baixos salários e uma situação precária dos jornalistas, o que aumenta os riscos de prevaricação entre jornalismo e política. (É mais fácil corromper um jornalista mal pago e com uma família para sustentar).

Embora, seja algo não assumido, nem pelos governantes, nem pelos jornalistas, é uma verdade este conflito de interesses entre jornalismo e politica, este jogo de poder e contra-poder, de influência. O que vai contra a ideologia jornalistica que é suposto ser livre e independente. Mas isto, não quer dizer que não haja liberdade de imprensa no País. Quanto a mim, há uma liberdade limitada pelas circunstâncias do orgão ou do grupo para o qual o jornalista exerce a sua função.

Os media, à sua maneira, com as dificuldades e as contingências a que estão sujeitos, estão a ajudar no processo de consolidação da democracia cabo-verdiana. Nos últimos tempos, em Cabo Verde, muito se tem discutido sobre a independência dos media, em particular da televisão nacional (TCV). Sendo uma estação pública, com o dever de desempenhar o seu papel de informar e de alertar os cidadãos, considero que a TCV não é um exemplo de pluralismo, facto que ao longo dos anos e dos sucessivos governos temos acompanhado. No fundo, a maior parte dos organismos do serviço público, os chamados meios de comunicação social do Estado, não passam de instrumentos ao serviço daqueles que dizem fomentar uma boa governação.

Também Francis Balle, sociólogo francês, já tinha dito que se “deve evitar o controlo estatal da comunicação social, na medida em que ele permite que alguém tenha o monopólio da verdade. E quem consegue monopolizar a verdade atinge o absoluto, não podendo ser contrariado, já que se assume como o único que sabe tudo”. A objectividade senão é o maior, é sem dúvida, um dos maiores mitos do jornalismo, pois, cada um de nós vê o que a sua própria experiência o leva a ver, depende muitas vezes de quem é o observador.

Actualmente, segundo Repórteres Sem Fronteiras, na sua classificação anual sobre a relação dos países e a liberdade de imprensa, Cabo Verde somou 11 pontos e desceu no ranking, baixando à 44ª posição, situando-se, apesar disso, entre os 50 países com maior liberdade de imprensa. A posição em 2008 era 36ª.

Os jornalistas também têm razão de queixa, como é o caso do agente da Polícia Judiciária que agrediu um repórter na execução das suas funções. Um exemplo claro da violação da liberdade de imprensa. Um caso que ficou-se pelo protesto dos jornalistas e pelo pedido de desculpas da Polícia Judiciária. São factos como estes que demonstram a falta de protecção dos profissionais da comunicação, o que os coloca muitas vezes da posição de não querer fazer determinadas tarefas, por receio ou por se sentirem inseguros. O que prejudica um jornalismo plural e credível. Não se fomenta um jornalismo investigativo, não se aprofundam os temas, que ficam pelo tratamento circunstancial de uma breve notícia. E não se aposta na continuidade ou no seguimento das histórias. Cabo Verde, enquanto Nação, País soberano e Estado de Direito Democrático, consagra ampla liberdade de Expressão e Informação na Constituição da República. Recentemente (Maio 2010), o Parlamento cabo-verdiano aprovou o novo Estatuto dos Jornalistas, em que a principal alteração estabelece a obrigatoriedade de formação superior para aceder à prática do jornalismo em Cabo Verde. Jornalistas com menos de 10 anos de profissão e sem diploma universitário devem fazer uma formação superior no prazo de cinco anos para continuarem na profissão.

A classe jornalística no País não é unida, o que facilita a conspurcação dos profissionais. Muitas vezes, os jornalistas vêm-se como rivais e não como profissionais que lutam pela mesma causa: melhores condições de trabalho e maior liberdade no exercício da sua função.

Ter um estatuto e um código deontológico forte e moderno, que reúna as regras que orientam o exercício da profissão, é com certeza um passo importante para um jornalismo mais eficiente e credível.

A instituição de uma carteira profissional dos jornalistas, a aposta na formação, a criação de uma entidade auto-reguladora do padrão da qualidade, a não intromissão do Estado e dos partidos políticos nos conteúdos dos media, tudo isso, pode trazer um maior equilíbrio entre a liberdade de imprensa e a responsabilidade social dos media.

Quando se verificar isto, na prática, quem sai a ganhar é a democracia e a liberdade de imprensa.


Erzinete Borges, Licenciada em Comunicação Social, Jornalista

segunda-feira, julho 12, 2010

O que você faz da sua vida?

terça-feira, junho 29, 2010

Análise de Filmes - conceitos e metodologia(s)

Resumo
O texto procura reflectir sobre a actividade de análise de filmes, em especial o seu papel nos discursos sobre cinema e discutir possíveis metodologias para essa mesma actividade.


Índice
1. O que é a análise de filmes e para que serve?
2. Como analisar?
3. Bibliografia

Faça o download do texto (10 páginas) aqui "http://www.bocc.uff.br/pag/bocc-penafria-analise.pdf"

Auto-regulação, autocensura e autonomia

Auto-regulação não é um sinônimo de autocensura no contexto das redações jornalísticas, porque, apesar das duas expressões terem algo em comum, referem-se a dois posicionamentos distintos: a auto-regulação se baseia em princípios gerais que cada profissional aplica individualmente, enquanto a auto-censura uma norma apoiada na conveniência institucional e aplicada coletivamente.


Ambos os conceitos tem em comum o fato de se constituírem numa limitação auto-imposta e que atende a conjunturas concretas. No caso da auto-regulação, ela está baseada num consenso baseado em princípios que podem ser culturais, morais ou éticos. No caso da autocensura, temos uma decisão imposta que será aplicada pelo grupo social, no caso as redações, para atender a uma necessidade concreta, geralmente a da sobrevivência de interesses corporativos.

Tanto a auto-regulação como a autocensura, estão situadas dentro do quadro da autonomia, ou seja, são posicionamentos desenvolvidos sem interferência de órgãos superiores, como por exemplo, o governo.

Bom, tudo isto para chegar ao ponto crucial. A autocensura é questionável porque limita a nossa capacidade de pensar e anula a diversidade na troca de informações. Ela tende a uniformizar conteúdos a pretexto de preservar interesses e conveniências. Ao eliminar ou reduzir a diversidade de informações, a autocensura agride o jornalismo porque priva o público de dados, fatos e processos necessários para a formação de opiniões e tomada de decisões.

A auto-regulação obedece a uma lógica totalmente diferente. Ela se baseia na diversidade para, por meio da troca de informações, chegar a um consenso sobre o que pode ameaçar uma determinada comunidade social e seus integrantes. É o que acontece quando as famílias procuram evitar que crianças tenham acesso a filmes violentos. A preocupação não é reduzir a liberdade de informação mas evitar desordens emocionais em seres que ainda não chegaram à maturidade plena.

Alguns leitores comentaram que a auto-regulação é um atentado à liberdade de informação, numa reafirmação do famoso dito de que a melhor lei é aquela que não existe. Só que isto não passa de uma frase de efeito sem nenhuma correspondência prática. Não existe liberdade total, simplesmente porque vivemos em comunidades sociais onde há um bem-estar comum e um bem estar individual. Ora um é mais importante, ora o outro.

A auto-regulamentação sempre existiu e a maior prova dela são as Constituições nacionais. Ela, em tese, seria a materialização do consenso entre os residentes num mesmo país. No caso da imprensa, o argumento de liberdade irrestrita de informação esconde uma falácia, a de que os jornais, emissoras de rádio, televisão, revistas e internet informam tudo. Isto além de não ser verdade, é impossível e inviável.

Assim, a auto- regulamentação informativa tem a ver com a geração de consensos (o plural é importante) sobre o tipo de informação que pode ameaçar, por exemplo, grupos étnicos, direitos civis, o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes, a privacidade de suspeitos sem culpa formada, etc etc.

Estes consensos, que são específicos para cada caso e que evoluem com o tempo, devem incorporar princípios éticos porque dependem de valores desenvolvidos pela própria sociedade.

Em suma, e para terminar, auto-regulação informativa baseada na ética significa desenvolver no interior das redações jornalísticas de todos os tipos, consensos informativos que orientarão os profissionais sobre o tipo de conteúdo que será oferecido ao público numa determinada região, numa conjuntura precisa e num momento definido.
É a minha colaboração para um debate onde você leitor, tem o papel mais importante porque soma das experiências e conhecimentos de todos vocês é bem maior do que a minha.