Os bons terão sempre lugar no jornalismo

Antigo director da Televisão de Cabo Verde, Daniel Medina é Professor Doutor da Universidade Lusófona de Cabo Verde (ULCV), no curso de Ciências da Comunicação. Jornalista, cronista de rádio e jornal, comentador da televisão, Medina é um comunicador nato. Nha Terra Online foi conhecer o autor de Pela Geografia do Prazer que se prepara para lançar novo livro no mercado e saber a sua opinião sobre o jornalismo caboverdiano, a sua vida de docente, entre outras questões.

Banalização da Profissão de Jornalismo em Cabo Verde

Em vários artigos nossos publicados em Cabo Verde temos vindo a alertar o Governo e aos cidadãos, pela degradação galopante do nosso “jornalismo”. Colocamos aqui a palavra jornalismo entre aspas, porque em nosso entender não existe o jornalismo cabo-verdiano.

Diversidade de Cursos na Comunicação

Uma das causas apontadas para menos vestibulandos interessados em Jornalismo é o número de opções relacionadas à comunicação. Muitos com vocação para cinema e fotografia, por exemplo, acabavam no curso por falta de opção. Existem alguns cursos de graduação e de tecnologia que podem estar por trás do fenômeno.

Como fazer um Resumo

O resumo é uma forma de reunir e apresentar por escrito, de maneira concisa, coerente e frequentemente selectiva, as informações básicas de um texto pré-existente. É a condensação de um texto, pondo-se em destaque os elementos de maior interesse e importância.

Bibliotecas Virtuais

grande referência na área de bibliotecas virtuais, com os sites mais importantes para informação e comunicação sobre ciência e tecnologia

sábado, janeiro 23, 2010

Pérolas do Vestibular

Todos os anos, após os vestibulares, as "pérolas" aparecem. Creio que há um certo exagero e muitas podem ser criação de brincalhões. São muito engraçadas, mas que assustam, assustam.


* "(...) quanto à opinião pública, podemos dizer que ela é mutável. Por exemplo: na hora do parto, a mulher pode optar pelo aborto."

* "A comunicação é importante porque comunica algo entre duas ou mais pessoas que querem se comunicar"

* "O Press release tem esse nome porque realiza as coisas com pressa".

* "O problema da comunicação social no Brasil é que ela é dirigida por brasileiros, deveríamos trazer os americanos.

* "O endomarketing é como se fosse o marketing endovenoso."

* "Eu acho que a resposta é não. Como o professor deve ter pensado numa armadilha, respondo que é sim.

* "O público mixto é composto por aquelas pessoas que entram e saem da empresa. Ou seja nunca estão totalmente dentro, nem totalmente fora."

* "(a questão dizia que a afirmativa era CORRETA, pedia a justificativa somente). "Disconcordo com a questão. Ela não pode ser positiva. Nunca fiz prova que o professor dissesse que era afirmativa uma questão. Deve ser uma pegadinha, tipo do Faustão.

* "A comunicassão social e feita de mim para voçês"

* "A televisão é influenciativa em nossas vidas. Quantas vezes não compramos um tênis porque vemos na TV? A programação deveria ser mais educante(...)".

* "A empresa e o público ixterno caminhão juntos, incluindo aí a emprensa."

* "O proficional de comunicação tem um mercado bundante a sua disposição, afinal, todos se comunicam na terra(...)".

* "O ruído realmente atrapalha muito a comunicação. Aqui na universidade fico atordoado quando passa o trem, quase não ouço o professor. As salas deveriam ser à prova de som".

* "O fidibeque é a mesma coisa que a retroinformação, ou seja a informação que vem por trás."

* "A comunicação é uma junção da verdade com a falsidade, afinal fofoca é uma coisa feia e é comunicação".

* "Faço comunicação porque acho importante ser comunicadora, mas não acho importante ler jornal (suja a mão), nem ficar em casa vendo TV. Acho melhor me comunicar entre si."

* "A comunicação é moderna porque usa modernidades da atualidade."

* "Os principais meios utilizados pelas comunicação são: meios orais (que são falados), meios auditivos (que são ouvidos) e mais tácteis (que são sentidos)."

* "A comunicação é de massa porque precisamos utilizar a massa cinzenta para compreendê-la".

* "Marketing em português é mercado, marketing pessoal, portanto é o mercado que freqüentamos."

* "Ao utilizarmos a comunicação nos comunicamos."

* "Se a comunicação é pessoal, envolvendo o emissor e o receptor, como podemos pensar em comunicação empresarial? A empresa se expressa por si só?"

Fonte: http://www.releituras.com

Sport TV lança canal para os PALOP e outro dedicado ao golfe


A Sport TV vai lançar em breve mais dois canais desportivos, um dirigido aos países africanos lusófonos e outro dedicado ao golfe, tendo recebido a aprovação do organismo regulador dos media para o início de emissões.

Na nota a ERC explica que o Sport TV é "direccionado para os PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa], sendo Angola o primeiro território, e será distribuído em formato digital e com especial atenção às emissões em HD [alta definição], encontrando-se assegurado o acesso por satélite".

Segundo a mesma fonte o canal internacional dirigido à África Lusófona vai ser preenchido com programação resumida dos canais de desporto já emitidos pela Sport TV.

A Sport TV, detida pela Zon e pela Controlinveste, conta já com quatro canais por cabo: Sport TV, Sport TV2, Sport TV3 e Sport TV HD.

Fonte: OJE - O Jornal Económico

Carteira Internacional de Jornalista


A carteira internacional de jornalista é da FIJ (Federação Internacional de Jornalistas) e emitida pela FENAJ. Para obtê-la, por exigência da FIJ, o jornalista precisa estar sindicalizado e preencher um formulário fornecido pelos Sindicatos. É necessário ainda, anexar cópia da carteira de jornalista nacional, na validade, e duas fotos 3x4, para a primeira vez, (uma foto no caso de renovação). Ainda para a renovação é necessário anexar cópias da carteira anterior ou o original da antiga.

A carteira internacional é o documento de identificação do jornalista no exterior. O titular da cédula internacional tem benefícios - desconto ou gratuidade - no ingresso de cinema, museus, espetáculos, etc, que variam de país a país. Outra finalidade importante do documento é facilitar o acesso às entidades sindicais filiadas à FIJ e a eventos profissionais. Dessa forma, fica mais fácil encaminhar solução de problemas que possam surgir quando o jornalista está em outro país. O custo da carteira da FIJ é 40 euros para jornalistas sindicalizados em dia e 80 euros para inadimplentes com a tesouraria dos Sindicatos.

Fonte: Federação Nacional dos Jornalistas Brasileiros

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses


Os jornalistas portugueses regem-se por um Código Deontológico que aprovaram em 4 de Maio de 1993, numa consulta que abrangeu todos os profissionais detentores de Carteira Profissional. O texto do projecto havia sido preliminarmente discutido e aprovado em Assembleia Geral realizada em 22 de Março de 1993.

1.O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

2.O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.

3.O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.

4.O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.

5.O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. O jornalista deve também recusar actos que violentem a sua consciência.

6.O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.

7.O jornalista deve salvaguardar a presunção da inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.

8.O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade ou sexo.

9.O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.

10.O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas Portugueses

Ver Também: Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros

Planeamento e Ordenamento do Território na ULCV


Aconteceu na quinta-feira (21) no Auditório da Universidade Lusófona de Cabo Verde Baltazar Lopes da Silva, uma palestra intitulada Melhor Planeamento e Ordenamento do Território.

A referida palestra teve como objectivo trazer contributos para o modelo de Planeamento e Ordenamento do Território em S. Vicente e foi apresentada pelo Professor Engenheiro Noé Duarte.

COMMUNICARE

“Há alguma construção selvagem no Mindelo”

Um dos principais problemas do Mindelo, no que toca ao planeamento urbano, é "alguma construção selvagem".

O alerta é do português Noé Duarte, que deu ontem, 21 de Janeiro, uma conferência na Universidade Lusófona de Cabo Verde - Baltasar Lopes da Silva.

O novo Plano Director Municipal (PDM) da ilha "há de repor a legalidade", afirmou o engenheiro.

Recorde-se que o processo de revisão do PDM de São Vicente está a decorrer, a cargo de um consórcio formado pelas empresas Cese (Cabo Verde) e Diâmetro (Portugal).

E ontem, este foi um dos temas da conferência "Melhor Planeamento e Ordenamento do Território é possível: contributos para o modelo de Planeamento e Ordenamento do Território em São Vicente".

E Noé Duarte, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, de Lisboa, defendeu a importância das correcções torrenciais.

"Vimos há pouco tempo as ruas do Mindelo transformadas em rios, com um leito estreito, que não consegue fazer o escoamento da água", lembrou.

Por outro lado, Duarte falou do "ciclo vicioso" ligado ao "problema grave de falta de água".

"Quando não chove, não há água. Quando chove, também não há água", explicou.

"As bacias de retenção que havia desapareceram porque não houve obras de manutenção. E o Mindelo tem um excesso de impermeabilização dos solos, o que impede a recarga dos lençóis freáticos", lamentou o docente.

"É fácil fazer bacias de retenção. O mais difícil é fazer com sustentabilidade, prevendo a manutenção dessas estruturas. Senão, em dois, três anos, já não servem de nada", concluiu.

22-1-2010, 17:42:49
VQ, Expresso das Ilhas

UNIVERSIDADE LUSÓFONA ORGANIZA PALESTRA SOBRE PLANEAMENTO E TERRITÓRIO

A palestra foi proferida por Noé Duarte
A palestra foi proferida por Noé Duarte
Mindelo, 22 Janeiro - A Universidade Lusófona de Cabo Verde (ULCV) realizou uma palestra com o tema “melhor planeamento e ordenamento do território é possível” proferida por Noé Duarte.

A palestra procurou abordar os contributos para o modelo e planeamento e ordenamento do território, em São Vicente.

O administrador da ULCV, Montenegro Fiúza, sublinhou a pertinência desse tema para a actualidade, não só para São Vicente, dizendo ser importante que as universidades acompanham o ritmo e os assuntos de desenvolvimento das sociedades.

A Presidente da Câmara de S. Vicente, Isaura Gomes, mostrou-se satisfeita com o evento que coincide com as festividades do município, afirmando ser o tema discutido “complexo, multifacetado e multidisciplinado”, ao mesmo tempo que convidou os organizadores a levarem mais eventos do género a Mindelo para debates.

NDelgado, Liberal Online

terça-feira, janeiro 19, 2010

Palestra na ULCV


Melhor Planeamento e Ordenamento do Território é possível

Contributos para o modelo de Planeamento e Ordenamento do Território em S. Vicente



PALESTRANTE
Professor Engenheiro Noé Duarte

LOCAL
Auditório da Universidade Lusófona de Cabo Verde - Baltazar Lopes da Silva

DATA
21janeiro

HORA
18h30

"Futcêra", filme de ficção, está em rodagem em São Vicente

Ilustração: Imagens gentilmente cedidas pela Produção



A produtora caboverdeana, Criola Produções, está a rodar na ilha de São Vicente, a sua primeira história de ficção, “Futcêra”.


NhaTerra Online conversou com Mirtó Veríssimo, actriz e uma das produtoras que nos contou que as filmagens já vão em alguns dias, “há quatro dias que estamos a filmar. Os trabalhos irão decorrer em duas fases. Numa primeira fase filmaremos a maior parte das cenas interiores para depois, em Março, captarmos as cenas de exterior, como praças e mercados”, conta-nos Mirtó, para quem os constrangimentos finaceiros são a maior barreira a ultrapassar.


“Futcêra”, é uma história tradicional da ilha de Santo Antão, com adaptação de Fonseca Soares. “Ele agarrou o texto e transformando-o para o cinema”, diz-nos Mirtó que prevê a estreia para finais deste ano, “estamos a trabalhar de forma voluntária, com boa vontade de fazer cinema numa área pouco explorado e a dar os primeiros passos, por isso vamos devagar”. Ler tudo...



Fonte: http://www.nhaterra.com.cv/

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Políticas de comunicação e contexto mediático cabo-verdiano

Silvino Lopes Évora
RESUMO

Através do texto, Évora dá a conhecer as políticas para a comunicação social, as mudanças que advieram com a democracia e que tipo de serviço público é disponibilizado em Cabo Verde bem como a forma jurídica com que os media são geridas, numa linguagem clara e acessível.

A nível das políticas para o impresso, o autor afirma que o Estado extrapola aquilo que lhe é conferido pela Constituição em relação ao serviço público que deverá disponibilizar – radiodifusão e televisão – ao administrar um jornal (o jornal Horizonte) e ao possuir uma agência noticiosa (a Inforpress). Aponta como razões para não haver jornais diários a falta de informações, a pequenez do mercado, o fraco poder de compra e os baixos índices de leitura, não sendo assim, culpa das políticas do Governo para com a comunicação social. Os jornais que existem são semanários muitas vezes conotados aos partidos que podem ser criados livremente e o Estado não poderá financiar um jornal diário mesmo que inviável economicamente por não ser obrigado pela Constituição.

Diferentemente do sector impresso onde existe total liberdade de criação de novos títulos, para fundação de rádios é preciso seguir leis específicas do país e leis internacionais. Segundo Évora, a Rádio de Cabo Verde, estação pública, generalista, a Rádio Nova – Emissora Cristã que difunde para todo o arquipélago e a Rádio Comercial que teve que transpor a barreira política para se impor são as estações que apostam mais seriamente na informação. Após a abertura política, o monopólio público foi quebrado com as novas leis, entrando em cena as rádios privadas, de emissões regionais, mas que devido ao fraco bolo publicitário não é de se perspectivar uma forte aposta do sector privado.

Segundo a lei, tanto operadores públicos como privados podem operar no sector da televisão, carecendo apenas de um alvará, mas a lei não permite que uma única pessoa controle um canal televisivo e também proíbe a participação cruzada de investimentos para evitar a tentação da instrumentação da televisão. Évora declara que a lei exige aos privados a prestação de um serviço público que nem mesmo a televisão pública financiada pelo Orçamento de Estado é capaz de fornecer, introduzindo o conceito de televisão periódica para classificar a Televisão de Cabo Verde por ela se cingir a uma certa rotina temporal, afirmando que o serviço prestado está longe de atingir o estatuto legal de serviço público, pois ela não têm um conteúdo diversificado e nem tem uma cobertura nacional como estabelece a Constituição.

Apesar de o Governo ter-se comprometido a dotar os meios de comunicação públicos de condições, quer materiais, quer humanas, quer, ainda, jurídicas para que possam prestar um melhor serviço, Évora considera que a colectividade jornalística está mais débil do que nunca, especialmente por ser a classe política a apodera-se dos noticiários. Com a revisão da Constituição de 1999 o exercício do jornalismo ficou comprometido com a alteração da lei relativo ao direito de informação e à liberdade de expressão, possibilitando, assim, que os jornalistas pudessem ser processados por crimes de difamação, pois, a classe política achou que os jornalistas tinham excesso de poder nas mãos.

Concluindo, Évora afirma que os principais ganhos que a democracia trouxe para a área da comunicação foram a liberdade de publicação e a liberalização do sector radiofónico e que a entrada de novos operadores privados está condicionada à barreiras económicas e não à constrangimentos políticos.

daivarela

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Lei de Bases do Sistema Educativo

A lei de Bases do Sistema Educativo tem por finalidade a definição dos princípios fundamentais da organização e funcionamento do sistema educativo, abrangendo o conjunto das instituições de educação público e particular e é da competência do Ministério da Educação.

Cabe, ao Ministério da Educação, assegurar que todas as instituições educativas oficiais e particulares observem as disposições em vigor no ensino público, competindo-lhe ainda definir as condições de validação dos respectivos diplomas para efeito de obtenção de equivalência.

Esta lei veio conferir os deveres e direitos fundamentais do indivíduo no que concerne à educação, “Todo o cidadão tem o direito e o dever da educação”, bem como da actuação do próprio Estado, “O Estado promoverá progressivamente a igual possibilidade de acesso de todos os cidadãos aos diversos graus de ensino e a igualdade de oportunidades no sucesso escolar”.

Também, regula o funcionamento das instituições de ensino privado que a partir do início da década de noventa começaram a proliferar no nosso país, “O ensino particular observará o disposto na presente lei quanto aos princípios, estrutura e objectivos da educação, sem prejuízo da prossecução de finalidades específicas e de modalidades de organização que lhe sejam legalmente autorizadas”.


Um dos objectivos dessa lei é a formação integral do indivíduo e tem a eliminação do analfabetismo como tarefa fundamental, procurando dirigir o sistema educativo a todos os indivíduos independentemente da idade, sexo, nível socioeconómico, intelectual ou cultural, crença religiosa ou convicção filosófica de cada um.

O nosso sistema educativo está estruturado de forma a compreender os subsistemas da educação pré-escolar, da educação escolar, da educação extra-escolar complementados com actividades de animação cultural e desporto escolar numa perspectiva de integração.

Procurando proteger os mais necessitados, a lei confere ao Estado a responsabilidade de assegurar gradualmente os meios educativos necessários às crianças e jovens portadores de deficiências físicas ou mentais para que possam beneficiar de cuidados educativos adequados, visando a sua recuperação e integração socioeducativa.

À vertente da educação extra-escolar, com a educação básica de adultos que abrange a alfabetização e a pós-alfabetização numa perspectiva de elevação do nível cultural é concedida uma especial atenção, com os objectivos de eliminação do analfabetismo literal e funcional e a contribuição para a efectiva igualdade de oportunidades educativas e profissionais dos que não frequentarem ou abandonarem o sistema formal do ensino.

Para conseguir os recursos financeiros necessários a aplicação da nova Lei de Bases do Sistema Educativo fica aprovado que na elaboração e aprovação do Plano Nacional de Desenvolvimento e de Orçamento Geral do Estado deverá o sistema público de ensino ser considerado como uma prioridade da política nacional.

Para a administração e gestão da educação, o Governo fica incumbido de elaborar, coordenar, executar e avaliar a política educativa nacional, em conformidade com os imperativos do desenvolvimento do país, definidos no seu programa, cabendo ao Ministério da Educação proceder à sua concertação e a definição das normas pedagógicas e técnicas a aplicar na educação.

Uma das grandes novidades trazidas pela nova Lei de Bases do Sistema Educativo é o aumento dos anos de gratuitidade no sistema de ensino de seis para oito anos e a previsão do aumento gradual da obrigatoriedade do ensino até abranger o 12º ano de escolaridade no horizonte de 2015 em Cabo Verde.

daivarela

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Novo ano, novas [mesmas] promessas. Novo ano, velhos [mesmos] problemas.


Sentado lá ao fundo ouvindo o novo administrador da ULCV – o homem fala muito, e muito baixo – tive um sentimento de dejá vu, pois que eu já não era bem um virgem em matérias como bebedouro, biblioteca, sala de multimédia, fotocópia, etc., etc. e tal. Sobre esses temas eu poderia ser considerado um pécora mas virgem não.

O dom da oratória mora pelos lados da Reitoria e agora também da Administração, há que reconhecer. Se antes todos infrontavam quando o Reitor pedia aquele copo d’água para molhar os gorgomilos e continuar a falar mais umas duas horas, agora não tem jeito mesmo, como dizem os brasileiros. É que o Administrador não parece necessitar do copo d’água para manter o ritmo e falar… e falar até que o Rei faça anos. Pena que não havia um microfone que lhe amplificasse a voz.

Se é verdade que o Administrador é novo na ULCV e por isso beneficia de um certo estado de graça, também é certo que a gestão de uma Instituição não é feita aos solavancos, o que significa que neste momento ele deveria estar a cortar fitas, fazendo inaugurações de projectos que tiveram inicio há três, dois ou um ano atrás. A COMMUNICARE está ávida para estar presente e fotografar a inauguração de qualquer coisa na Lusófona. Qualquer coisa mesmo.

Espera-se que na próxima reunião no Auditório da ULCV seja para apresentar resultados, não mais promessas acerca das mesmas reclamações. É que já estou farto de reclamar das mesmas coisas, torna-se monótono, repetitivo. Queremos protestar acerca de coisas diferentes. Queria reclamar que não havia espaço para assistir a uma palestra de um Catedrático, que somente cinco alunos conseguiram ir à um intercâmbio internacional. Coisas diferente, tás a ver.

Mas também devo reconhecer que não só a Reitoria e Administração merecem críticas. Numa Universidade onde existe o curso de Ciências da Comunicação, que já vai no terceiro ano, nunca foi produzido um jornal de parede ou um folhetim, um pasquim que seja, quanto mais uma revista ou um jornal. E, em três anos não foi possível formalizar a Associação de Estudantes, pelo que acho que era melhor arrumar a casa para receber (reclamar) tudo o que de bom dizem que vem nos próximos dias.

daivarela

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Sala cheia na estreia de BITÚ do realizador Leão Lopes

A estreia do filme BITÚ do realizador Leão Lopes aconteceu na noite de ontem (8), no Auditório do Centro Cultural do Mindelo (CCM), perante uma sala lotada por um público ávido por ver cinema no grande ecrã.

Leão Lopes
O realizador de cinema e guionista, Leão Lopes mostrava-se também emocionado na estreia do documentário na sua cidade, "foi emocionante, porque de certa maneira não esperava uma afluência tão grande, foi interessante ter despertado curiosidade e interesse das pessoas".

Actualmente a exercer a actividade de professor universitário e investigador, Lopes diz-nos que essa estreia fê-lo aumentar a motivação, "essas situações assim reforçam bastante porque é gratificante quando mostramos um trabalho e tem público para ele, é um grande estímulo e motivação. Mas de uma maneira geral o público de São Vicente tem esse feeling de apoiar obras de criadores da sua cidade, têm uma envolvência, um carinho e calor especial" Ler todo o texto...


Fonte: www.nhaterra.com.cv




quinta-feira, janeiro 07, 2010

COMISSÃO DA CARTEIRA PROFISSIONAL DO JORNALISTA


Edital n.º 1/2009

A Comissão da Carteira Profissional (CCP), inicia o processo de emissão da Carteira Profissional do Jornalista e do Cartão de Identificação dos Equiparados a Jornalista, a partir da data da publicação deste edital.

Assim, nos termos do estipulado, no Decreto Regulamentar n.º 11/2004 de 20 de Dezembro:

1 - Todos os jornalistas e jornalistas estagiários deverão entregar no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do dia 1 (um) de Janeiro de 2010, na CCP, sita na Casa de Imprensa, no Platô, Praia, ou através da CP-507, o pedido da emissão do título, acompanhado dos documentos abaixo indicados, bem como do comprovativo do depósito de 2.500$00 (dois mil e quinhentos escudos) na conta bancária nº 78079569101 no BCA:

a) – Cópia certificada do Bilhete de Identidade.
b) – Duas fotografias recentes a cores, tipo passe.
c) – Certificado de Habilitações Literárias.
d) – Documento comprovativo de que exerce a profissão em regime de ocupação permanente e remunerada, com indicação da categoria e funções, passado pela entidade empregadora, ou, na falta deste, declaração sob compromisso de honra subscrita por dois jornalistas profissionais, de que o requerente exerce a profissão naquele regime.
e) – Declaração assinada sob compromisso de honra, de que não se encontra abrangido por nenhuma das situações de incompatibilidade previstas no Estatuto do Jornalista e de que respeitará os deveres deontológicos da profissão.

2 – Os equiparados a jornalista, nos termos da Lei, deverão entregar no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do dia 1 (um) de Janeiro de 2010, na CCP, sita na Casa de Imprensa, no Platô, Praia, ou através da CP-507, o pedido da emissão do título, acompanhado dos documentos abaixo indicados, bem como do comprovativo do depósito de 2.500$00 (dois mil e quinhentos escudos) na conta bancária nº 78079569101 no BCA:

a) – Cópia certificada do Bilhete de Identidade.
b) – Duas fotografias tipo passe.
c) – Certificado de Habilitações Literárias
d) – Declaração da entidade proprietária do órgão de comunicação social onde exercem a actividade de correspondente, comprovativa das funções aí desempenhadas.
e) – Declaração de compromisso de honra de que respeitarão os deveres deontológicos da profissão.

3 – A CCP estará aberta para recepção dos dossiers às terças e quintas das 17 às 19:00 horas e aos sábados das 09:30 às 12:00 horas.

Praia, 19 de Dezembro de 2009
A Presidente

Ana Reis

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Conceitos de Economia - IV


O Acordo De Cooperação Cambial

Entre Cabo Verde E Portugal: Algumas Notas De Balanço

Assinado em 19 de Março de 1998, a parceria estabelece uma relação de paridade fixa entre o escudo cabo-verdiano e o euro e vincula o país a uma política de estabilidade macroeconómica. O acordo cambial prevê ainda uma linha de crédito que será concedida pelo governo português ao país africano em caso de dificuldade na balança de pagamentos, com vista a assegurar a credibilidade e sustentabilidade da paridade.
De acordo com o Ministério das Finanças de Cabo Verde, desde a assinatura do acordo, a economia cabo-verdiana tem apresentado uma boa performance em termos de crescimento económico, de inflação, de défice orçamental e ainda de estabilidade macroeconómica.

Importa, em primeiro lugar, ter uma noção das dimensões económicas relativas dos dois países. Medida em termos de PIB, a economia caboverdeana representa menos de 0,5% da economia portuguesa embora em termos populacionais Cabo Verde represente 3,7% da população portuguesa. Trata-se, portanto, de duas escalas completamente diferentes e convém ter isto presente quando se discute o potencial de desenvolvimento das relações bilaterais.
Em segundo lugar, importa ter presente que Cabo Verde é fortemente dependente do exterior, representando as importações de bens e serviços cerca de 60% do PIB, (contra 27% das exportações) o que se traduz, como é óbvio, num forte défice externo de bens e serviços e coloca o país numa situação de forte dependência relativamente ao financiamento externo.
Importa, em terceiro lugar, ter presente a forte concentração das relações económicas externas de Cabo Verde com Portugal, seja a nível do comércio externo, seja a nível do movimento de capitais, seja a nível de transferências privadas decorrente da forte emigração de cidadãos de Cabo Verde para Portugal.
Ainda no que respeita às relações com Portugal convém não esquecer os laços históricos, culturais e linguísticos que existem entre os dois países, que actuam como factores permanentes de atractividade mútua e, consequentemente, como potenciadores de todo o tipo de relações económicas. Estes laços existem, como é óbvio, em relação a todos os países de expressão lusófona mas no caso de Cabo Verde assumem uma importância muito mais significativa a que não será alheia a maior proximidade geográfica. Ponderados todos estes elementos podemos dizer que existem condições para Cabo Verde e Portugal constituírem entre si uma zona monetária.

É uma zona monetária óptima?
Numa abordagem tradicional desta questão não será difícil concluir que as condições de optimidade não estão de forma alguma reunidas embora também não sejam inexistentes em termos absolutos. Com efeito, verifica-se um grau razoável de mobilidade de trabalho entre Cabo Verde e Portugal e, no que diz respeito a transferências para fazer face a situações de recessão, existem alguns mecanismos de ajuda bilateral. Numa perspectiva meramente bilateral, isto é, sem levar em consideração os compromissos de cada país no quadro das organizações de integração a que pertencem (CEDEAO e UE) a satisfação dos requisitos de optimidade de uma zona monetária entre Cabo Verde e Portugal não seria uma tarefa muito difícil. Seria apenas uma questão de vontade entre os dois países.

Fixemo-nos agora mais na perspectiva de Cabo Verde e consideremos a utilidade do instrumento cambial para fazer face a eventuais problemas de ajustamento externo.
Tendo em conta a dimensão económica absoluta do país, a estrutura das suas relações externas e a sua concentração com Portugal, e os objectivos fixados no que diz respeito à dinamização da economia interna (abertura, privatização, modernização e crescimento) não temos dúvidas em afirmar que a estabilidade cambial e a ligação a uma âncora credível é um bem mais útil do que uma qualquer pseudo autonomia em matéria cambial que só poderia gerar instabilidade, aumentando a fragilidade estrutural do país.

Não é difícil, assim, de concluir que a manutenção de autonomia em matéria de política monetária não representa para Cabo Verde nenhum benefício significativo antes podendo gerar a ilusão de que é possível arbitrar entre objectivos internos e compromissos externos com todos os riscos que isso implica em matéria de desestabilização macroeconómica e de perda de credibilidade. Cabo Verde teria assim tudo a ganhar com uma integração monetária mais forte com Portugal, integração esta que, tendo em conta a criação do euro, significaria a participação numa zona monetária ainda mais ampla, de vocação internacional, e que seguramente permitiria ampliar todos os benefícios decorrentes da utilização de uma moeda forte e de circulação internacional. Diríamos mesmo que quando mais cedo esta integração monetária se processar melhores serão as condições para que os objectivos macroeconómicos definidos possam ser cumpridos plenamente.

Respondendo finalmente à questão colocada no título deste ponto diriamos que a ligação do escudo caboverdeano ao escudo português e ao euro justifica-se não em termos de se verificarem entre Cabo Verde e Portugal as condições de optimidade, tal como são consideradas no quadro da teoria das zonas monetárias óptimas, mas pelo facto de se poderem considerar as relações económicas existentes entre os dois países como formando uma zona monetária natural, ou seja, uma zona monetária que corresponde a um nível elevado de integração económica entre Cabo Verde e Portugal, que permite a Cabo Verde beneficiar da ligação preferencial a um espaço económico desenvolvido como é o da União Europeia, que permite potenciar um passado comum de relações e que poderá, inclusive, beneficiar os processos de afirmação internacional dos dois países no contexto actual de globalização.

Critérios
O Acordo de Cooperação Cambial entre Cabo Verde e Portugal está corporizado em cinco documentos fundamentais: O Acordo, propriamente dito, que fixa o quadro geral em que se desenvolverão as relações cambiais entre Portugal e Cabo Verde, e quatro documentos de concretização técnica das disposições acordados.
Os objectivos fixados são essencialmente três:
1. Criar condições para o incremento de fluxos comerciais e de investimento, entre Portugal e Cabo Verde;
2. Apoiar o processo de reformas estruturais da economia caboverdeana, no sentido do ajustamento, da abertura ao exterior e da modernização;
3. Estabilizar as relações cambiais entre os dois países como condição para o sucesso dos dois objectivos anteriores.

Como é fácil de constatar pelos objectivos enunciados o Acordo pressupõe uma opção estratégica por parte de Cabo Verde de ligação preferencial a Portugal, como forma de assegurar as condições para o desenvolvimento interno. Portugal compromete-se a garantir a convertibilidade da moeda caboverdeana, através da abertura de uma facilidade de crédito para reforço das reservas cambiais de Cabo Verde. Em contrapartida a parte caboverdeana compromete-se a adoptar os critérios de referência da União Europeia para a estabilidade cambial.

No sentido de assegurar o cumprimento do Acordo por ambas as partes é criada uma Comissão do Acordo de Cooperação Cambial (COMACC), integrada por representantes dos Governos dos dois Países.

A facilidade de crédito é objecto de uma regulamentação específica fixada num Contrato de Facilidade de Crédito. Nele se estabelece, designadamente, que a facilidade de crédito se destina ao reforço das reservas cambiais de Cabo Verde e a título de mobilização antecipada de receitas cambiais próprias com entrada prevista no respectivo exercício económico, podendo ser, também, utilizada para o financiamento de importação de bens e serviços ou para a liquidação do serviço da dívida externa, funcionando, neste caso, como Garantia Complementar de Convertibilidade do escudo caboverdeano.
O crédito concedido ao abrigo da facilidade poderá ascender a 5,5 mil milhões de escudos portugueses, podendo este montante ser elevado até 9 mil milhões em caso de bom cumprimento dos objectivos do Plano Macroeconómico de Cabo Verde, previsto igualmente nos termos do Acordo.

MENDONÇA, António. O Acordo De Cooperação Cambial Entre Cabo Verde E Portugal: Algumas Notas De Balanço. Retirado de: <http://www.bcv.cv/_conteudo/noticia/eventos/ENCONTRO%20DE%20ECONOMISTAS%20DE%20CABO%20VERDE_ficheiros/profMendonca.PDF>


INFLAÇÃO
Em economia, inflação é a queda do valor de mercado ou poder de compra do dinheiro. Isso é equivalente ao aumento no nível geral de preços. Inflação é o oposto de deflação. Inflação zero, ou muito baixa, é uma situação chamada de estabilidade de preços.
Em alguns contextos, a palavra inflação é utilizada para significar um aumento no suprimento de dinheiro e a expansão monetária, o que é às vezes visto como a causa do aumento de preços. Outra distinção também se faz quando analisam-se os efeitos internos e externos da inflação: externamente, a inflação se traduz mais por uma desvalorização da moeda local frente a outras, e internamente ela se exprime mais no aumento do volume de dinheiro e aumento dos preços.
Um exemplo clássico de inflação foi o aumento de preços no Império Romano, causado pela desvalorização dos denários que, antes confeccionados em ouro puro, passaram a ser fabricados com todo tipo de impurezas. O imperador Diocleciano, ao invés de perceber essa causa, já que a ciência económica ainda não existia, culpou a avareza dos mercadores pela alta dos preços, promulgando em 301 um edito que punia com a morte qualquer um que praticasse preços acima dos fixados.


Distorções
A inflação é responsável por diversas distorções na economia. As principais distorções acontecem na Distribuição de Renda (já que assalariados não tem a mesma capacidade de repassar os aumentos de seus custos, como fazem empresários e governos, ficando seus orçamentos cada vez mais reduzidos até a chegada do reajuste), na Balança de Pagamentos (inflação interna maior que a externa causa encarecimento do produto nacional com relação ao importado o que provoca aumento nas importações e redução nas exportações), na Formação de Expectativas (diante da imprevisibilidade da economia, o empresariado reduz seus investimentos), no Mercado de Capitais (causa migração de aplicações monetárias para aplicações em bens de raiz (terra, imóveis), e também a Ilusão Monetária (interpretação errada da relação de ajuste do salário nominal com o salário real, que gera percepção de maior renda e consequentemente decisões equivocadas. As pessoas, julgando-se mais ricas, demandam mais bens e serviços e, com oferta a pleno emprego, causa inflação).


O papel da inflação na economia
Um efeito da inflação de pequena escala é que se torna mais difícil renegociar alguns preços, e particularmente contratos e salários, para valores mais baixos - então com o aumento geral de preços é mais fácil para que os preços relativos se ajustem. Muitos valores são bastante inelásticos para baixo, e tendem a subir; logo, os esforços para manter uma taxa zero de inflação (nível constante de preços) irão punir outros sectores com queda de preços, lucros e empregos. Por conta disso alguns economistas e executivos vêem essa inflação suave como um mecanismo de "lubrificação" do comércio. Segundo algumas escolas de economia, esforços para manter uma estabilidade completa de preços podem também levar à deflação (queda constante de preços), que podem ser bastante destrutiva, estimulando falências, concordatas e finalmente a recessão, que é o "descontrole" ou "descomando", da economia, alertado por Keynes, em sua obra que foi editada finalmente em 1936, conhecida desde então por todos os economistas do "Mundo das Ciências Económicas”.



MOEDA
Moeda é o meio através do qual são efectuadas as transacções monetárias. É todo activo que constitua forma imediata de solver débitos, com aceitabilidade geral e disponibilidade imediata, e que confere ao seu titular um direito de saque sobre o produto social.
É importante perceber que existem diferentes definições de “moeda”: (i) o dinheiro, que constitui as notas (geralmente em papel); (ii) a moeda (a peça metálica); (iii) a moeda bancária ou escritural, admitidas em circulação; e, (iv) a moeda no sentido mais amplo, que significa o dinheiro em circulação, a moeda nacional. Em geral, a moeda é emitida e controlada pelo governo do país, que é o único que pode fixar e controlar seu valor. O dinheiro está associado a transacções de baixo valor; a moeda (no sentido aqui tratado), por sua vez, tem uma definição mais abrangente, já que engloba, mesmo no seu agregado mais líquido (M1), não só o dinheiro, mas também o valor depositado em contas correntes.


Funções da moeda
A moeda tem diversas funções reconhecidas, que justificam o desejo de as pessoas a reterem (demanda):
Meio de troca: A moeda é o instrumento intermediário de aceitação geral, para ser recebido em contrapartida da cessão de um bem e entregue na aquisição de outro bem (troca indirecta em vez de troca directa). Isto significa que a moeda serve para solver débitos e é um meio de pagamento geral.
Unidade de conta: Permite contabilizar ou exprimir numericamente os activos e os passivos, os haveres e as dívidas.
Reserva de valor: A moeda pode ser utilizada como uma acumulação de poder aquisitivo, a usar no futuro. A moeda não é o único activo a desempenhar esta função; o ouro, as acções, as obras de arte e mesmo os imóveis também são reservas de valor. A grande diferença entre a moeda e as outras reservas de valor está na sua mobilização imediata do poder de compra (maior liquidez), enquanto os outros activos têm de ser transformados em moeda antes de serem trocados por outro bem.


Papel-moeda
A ideia do papel-moeda nasceu no dia em que uma pessoa, necessitando de moedas correntes, entregou a outra um vale para troca de mercadorias ou metais (ouro, prata, ferro ou cobre), depois dado em pagamento a um terceiro, com direito de recebê-lo do emitente. Com função semelhante, circularam na Idade Média recibos de depósitos de ouro em pó, que circulava como moeda-corrente, pois era facilmente divisível, mas difícil de ter sua pureza garantida. Esses comprovantes chamavam-se recibos de ourives, pois eram neles que certos comerciantes confiavam, graças à sua idoneidade e cuja assinatura garantia os valores apresentados.


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quinta-feira, dezembro 31, 2009

Conceitos de Economia - III

Custo de oportunidade
O custo de oportunidade é um termo usado na economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela renúncia do ente económico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada ou, ainda, a mais alta renda gerada em alguma aplicação alternativa.
Em outras palavras: O custo de oportunidade representa o valor associado a melhor alternativa não escolhida. Ao se tomar determinada escolha, deixa-se de lado as demais possibilidades, pois são excludentes, (escolher uma é recusar outras). À alternativa escolhida, associa-se como "custo de oportunidade" o maior benefício NÃO obtido das possibilidades NÃO escolhidas, isto é, "a escolha de determinada opção impede o usufruto dos benefícios que as outras opções poderiam proporcionar". O mais alto valor associado aos benefícios não escolhidos, pode ser entendido como um custo da opção escolhida, custo chamado "de oportunidade".
Exemplo
Um exemplo clássico da literatura económica: imagine uma fábrica de cadeiras que produzia 10 cadeiras por mês num mercado que absorvia totalmente esta produção. Diante de uma oportunidade de negócios, esta fábrica resolveu iniciar uma produção de um novo produto: mesas. Porém, ao alocar recursos para tal, descobriu que terá de deixar de produzir 2 cadeiras para alimentar a demanda de 2 mesas. O custo de oportunidade está no valor perdido da venda das 2 cadeiras que deixaram de ser fabricadas.
Se uma cidade decide construir um hospital num terreno vazio de propriedade estatal ou pública, o custo de oportunidade é representado pela renúncia a erguer outras construções naquele terreno e com o capital investido. Rejeita-se por exemplo a possibilidade de construir um centro desportivo, ou um estacionamento, ou ainda a venda do terreno para amortizar parte das dívidas da cidade, e assim por diante.
As punições previstas para as autoridades que desrespeitem a Lei Autorizativa, no que se refere a aplicabilidade do custo de oportunidade, varia de país para país.

Diferenças entre custo económico e custo contável
A diferença fundamental entre ambos, está no fato do custo económico ser mais usado entre os entes públicos e o contável de um modo geral para as Pessoas Físicas ou Jurídicas.
Avaliar o custo de oportunidade é fundamental em qualquer operação económica, ainda mais quando não estão explícitos valores financeiros (como os preços), o que pode levar a uma ilusão de que se obtiveram benefícios sem qualquer custo.

Valor de uso
Marx, em O capital, conceitua valor de uso de acordo com sua utilidade: "É a utilidade de uma coisa que lhe dá um valor de uso, mas essa não surge no ar. É determinada pelas qualidades físicas da mercadoria e não existe sem isso". Diferentemente do valor de troca, pode-se dizer que o valor de uso tem uma relação qualitativa, enquanto o valor de troca tem relação quantitativa.

Valor de troca
O valor de troca é medido pelo tempo de trabalho socialmente necessário, ou seja, o tempo padrão, para produzir uma mercadoria, o que possibilitará a troca por exemplo, de uma mesa por um travesseiro (diferentes quanto ao seu valor de uso) desde que o tempo de trabalho social desses produtos tenha sido o mesmo (equivalentes quanto ao seu valor de troca). Nos processos de troca de mercadorias, podemos observar produtos qualitativamente distintos, ou seja, com utilidades diferentes, sendo trocados; o valor de troca normalmente não é percebido.
Marx dizia que um bem possui dois tipos de valores: valor de uso e valor de troca. O valor de uso é medido pelo trabalho concreto, ou seja, do trabalho que depende da habilidade humana. Já o valor de troca da mercadoria está relacionada a quantidade de tempo que o trabalhador gasta para produzi-la.

Fronteira de Possibilidades de Produção
Para satisfazer as necessidades humanas são precisos bens, bens esses que dificilmente se encontram já disponíveis. Precisam de ser produzidos, alterados de modo a terem valor para as pessoas. A produção faz-se a partir de recursos e factores produtivos como terra (ou recursos naturais, que inclui a terra arável, os minérios, a água, a energia, etc.), trabalho (toda a actividade humana para a produção), capital (que é constituído pelos instrumentos duráveis, como máquinas, fabricas, estradas, etc.) e conhecimentos técnicos. Devido aos recursos limitados uma sociedade tem que escolher as quantidades de bens e serviços a produzir, mais comboios e menos automóveis, mais café e menos chá, etc. As possibilidades de escolha são imensas mas para simplificar vamos admitir que uma sociedade apenas pode produzir dois tipos de bens, café e sapatos. Aplicando todos os recursos na produção destes dois bens podemos obter várias combinações possíveis. Poderíamos aplicar todos os recursos na produção de sapatos, mas ficaríamos sem recursos para produzir café ou vice-versa, não é normal que uma sociedade gaste todos os seus recursos num só bem sem produzir nada do outro. A situação mais normal e racional é aquela em que ambos são produzidos. Para podermos analisar todas as situações possíveis recorremos a um gráfico muito importante em Economia: a fronteira de possibilidade de produção que representa o lugar geométrico dos pontos de produção máxima de café e sapatos, dado um certo montante de recursos disponíveis.
A curva de possibilidade de produção ilustra graficamente como a escassez de factores de produção criam um limite para a capacidade produtiva de uma empresa, país ou sociedade.
Ela representa todas as possibilidades de produção que podem ser atingidas com os recursos e tecnologias existentes. A concavidade da curva indica que, dadas as quantidades dos recursos, se a sociedade quiser aumentar sucessivamente a produção de um bem, maior será a taxa de sacrifício (o custo de oportunidade) associada a tal intenção (isso em termos da produção do outro bem).

Os Diferentes Tipos de Bens
Quando pensamos sobre os vários tipos de bens na economia, torna-se útil agrupá-los de acordo com duas características, O bem é excluível? O bem é rival?
Exclusividade (As pessoas podem ser excluídas do uso do bem; As leis reconhecem os direitos de propriedade.)
Rivalidade (O uso do bem por uma pessoa impede outra de usá-lo).

Quatro Tipos de Bens
Bens privados - São bens excluíveis e rivais (roupas, sorvetes);
Bens públicos - São bens não excluíveis e nem rivais (defesa nacional, conhecimento);
Recursos comuns - São bens rivais mas não excluíveis (peixes no mar, meio ambiente);Monopólio natural - São bens excluíveis mas não rivais (corpo de bombeiros, TV a cabo).

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Conceitos de Economia - II

Lei da utilidade marginal
A Lei da utilidade marginal expressa que em uma relação económica a utilidade marginal decresce à medida que se consome mais uma unidade. A utilidade total de um bem cresce quando se consome maiores quantidades dele, mas seu incremento da utilidade marginal é cada vez menor.
O consumidor tem satisfação com um bem, mas a unidade seguinte já não lhe proporciona tanto prazer como a anterior.
O chamado paradoxo da água e do diamante ilustra a importância do conceito de utilidade marginal. Por que a água, mais necessária é tão barata, e o diamante, supérfluo, tem preço tão elevado? Ocorre que a água tem grande utilidade total, mas baixa utilidade marginal (é abundante), enquanto o diamante, por ser escasso, tem grande utilidade marginal.

Lei da oferta e da procura
Em economia, a Lei da Oferta e Procura , também chamada de Lei da Oferta e da Demanda é a lei que estabelece a relação entre a demanda de um produto - isto é, a procura - e a quantidade que é oferecida, a oferta. A partir dela, é possível descrever o comportamento preponderante dos consumidores na aquisição de bens e serviços em determinados períodos, em função de quantidades e preços. Nos períodos em que a oferta de um determinado produto excede muito à procura, seu preço tende a cair. Já em períodos nos quais a demanda passa a superar a oferta, a tendência é o aumento do preço.
A estabilização da relação entre a oferta e a procura leva, em primeira análise, a uma estabilização do preço. Uma possível concorrência, por exemplo, pode desequilibrar essas relações, provocando alterações de preço.
Ao contrário do que pode parecer a princípio, o comportamento da sociedade não é influenciado apenas pelos preços. O preço de um produto pode ser um estímulo positivo ou negativo para que os consumidores adquiram os serviços que necessitam, mas não é o único.
Existem outros elementos a serem considerados nesta equação, entre eles:
Os desejos e necessidades das pessoas;
O poder de compra;
A disponibilidade dos serviços - concorrência;
A capacidade das empresas de produzirem determinadas mercadorias com o nível tecnológico desejado.
Da mesma forma que a oferta exerce uma influência sobre a procura dos consumidores, a frequência com que as pessoas buscam determinados produtos também pode aumentar e diminuir os preços dos bens e serviços.

Problema económico
O problema económico é uma das teorias económicas fundamentais na operação de qualquer economia. Ele propõe que existe uma escassez, que os recursos finitos disponíveis são insuficientes para satisfazer todos os desejos humanos. O problema então se transforma em como determinar que será produzido e como os factores de produção (como capital e trabalho) deverão ser alocados. A economia gira em torno de métodos e possibilidades de resolver o problema económico.
O problema económico é explicado de forma mais simples pela pergunta "Como satisfazemos desejos ilimitados com recursos limitados?" A premissa do modelo do problema económico é que os desejos humanos são constantes e infinitos devido à demanda em constante mudança (muitas vezes relacionada a mudanças demográficas) da população. No entanto, os recursos para satisfazer os desejos humanos são sempre limitados pela quantidade de recursos naturais ou humanos disponíveis. O problema económico, e os métodos para resolvê-lo, giram em torno da ideia da escolha em dar prioridades a que desejos serão satisfeitos.

Conceitos no problema económico
Desejo
Enquanto as necessidades básicas para a sobrevivência humana (comida, água, abrigo, saúde e educação) são importantes no funcionamento da economia, os desejos humanos são a força que dá forma à demanda por bens e serviços. Para restringir o problema económico, economistas devem classificar a natureza e os diferentes desejos dos consumidores, assim como a prioridade e organizar a produção para satisfazer o maior número de desejos possíveis.
Uma das suposições feitas na economia e pelos métodos que tentam resolver o problema económico é que humanos são de maneira geral gananciosos, e assim o mercado deve produzir o máximo possível para satisfazê-los. Esses desejos são frequentemente classificados em desejos individuais (que dependem das preferências e da paridade de poder de compra do indivíduo) e desejos colectivos (aqueles de comunidades inteiras). Coisas como comida e roupas podem ser classificadas tanto como desejos quanto como necessidades, dependendo do tipo do bem e com que frequência é consumido.
Escolha
O problema económico revolve fundamentalmente em torno da ideia de escolha. Devido à escassez dos recursos disponíveis, as empresas devem determinar o que produzir primeiro para satisfazer à demanda. Os consumidores são obviamente a maior influência nessa escolha, uma vez que os bens que desejam devem se encaixar nos seus orçamentos e paridade do poder de compra.

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Conceitos de Economia - I

Microeconomia
A Microeconomia é definida como um problema de alocação de recursos escassos em relação a uma série possível de fins. Os desdobramentos lógicos desse problema levam ao estudo do comportamento económico individual de consumidores, e firmas bem como a distribuição da produção e rendimento entre eles. A Microeconomia é considerada a base da moderna teoria económica, estudando suas relações fundamentais.
As famílias são consideradas fornecedores de trabalho e capital, e demandantes de bens de consumo. As firmas são consideradas demandantes de trabalho e factores de produção e fornecedoras de produtos.
Os consumidores maximizam a utilidade a partir de um orçamento determinado. As firmas maximizam lucro a partir de custos e receitas possíveis.
A microeconomia procura analisar o mercado e outros tipos de mecanismos que estabelecem preços relativos entre os produtos e serviços, alocando de modos alternativos os recursos dos quais dispõe determinados indivíduos organizados numa sociedade.
A microeconomia preocupa-se em explicar como é gerado o preço dos produtos finais e dos factores de produção num equilíbrio, geralmente perfeitamente competitivo. Divide-se em:
Teoria do Consumidor: Estuda as preferências do consumidor analisando o seu comportamento, as suas escolhas, as restrições quanto a valores e a demanda de mercado. A partir dessa teoria se determina a curva de demanda.
Teoria da Firma: Estuda a estrutura económica de organizações cujo objectivo é maximizar lucros. Organizações que para isso compram factores de produção e vendem o produto desses factores de produção para os consumidores. Estuda estruturas de mercado tanto competitivas quanto monopolísticas. A partir dessa teoria se determina a curva de oferta.
Teoria da Produção: Estuda o processo de transformação de factores adquiridos pela empresa em produtos finais para a venda no mercado. Estuda as relações entre as variações dos factores de produção e suas consequências no produto final. Determina as curvas de custo, que são utilizadas pelas firmas para determinar o volume óptimo de oferta.
A Microeconomia explica também as práticas de mercado, sendo estas divididas em: Monopólio, Monopsonio, Oligopólio, Oligopsonio, Concorrência Perfeita e Concorrência Monopolística.

Macroeconomia
Macroeconomia (do grego: μακρύ-ς /ma΄kri-s/ grande, amplo, largo e οικονομία /ikono΄mia/ lei ou administração do lar) é uma das divisões da ciência económica dedicada ao estudo, medida e observação de uma economia regional ou nacional como um todo. A macroeconomia é um dos dois pilares do estudo da economia, sendo o outro a microeconomia. Os estudos macroeconómicos tiveram seu início a partir da quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929, sendo a primeira grande obra literária macroeconómica o livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda do economista britânico John Maynard Keynes.
A macroeconomia concentra-se no estudo do comportamento agregado de uma economia, ou seja, das principais tendências (a partir de processos microeconómicos) da economia no que concerne principalmente à produção, à geração de renda, ao uso de recursos, ao comportamento dos preços, e ao comércio exterior. Os objectivos da macroeconomia são principalmente: o crescimento da produção e consumo, o pleno emprego, a estabilidade de preços, o controle inflacionário e uma balança comercial favorável.
Um conceito fundamental à macroeconomia é o de sistema económico, ou seja, uma organização que envolva recursos produtivos.


A estrutura macroeconómica se compõe de cinco mercados:
• Mercado de Bens e Serviços: determina o nível de produção agregada bem como o nível de preços.
• Mercado de Trabalho: admite a existência de um tipo de mão-de-obra independente de características, determinando a taxa de salários e o nível de emprego.
• Mercado Monetário: analisa a demanda da moeda e a oferta da mesma pelo Banco Central que determina a taxa de juros.
• Mercado de Títulos: analisa os agentes económicos superavitários que possuem um nível de gastos inferior a sua renda e deficitários que possuem gastos superiores ao seu nível de renda.
• Mercado de Divisas: depende das exportações e de entradas de capitais financeiros determinada pelo volume de importações e saída de capital financeiro.

Agregados Macroeconómicos
Os principais agregados macroeconómicos são produto, renda e despesa.
Produto - é a produção total de bens e serviços finais que são produzidos por uma sociedade num determinado período.
Renda - renda pessoal ou consumo das famílias - somatório das remunerações recebidas pelos proprietários dos factores de produção como retribuição pela utilização de seus serviços na actividade produtiva. Ex: salário, alugueis, juros, lucros.
Renda pessoal disponível (RPD) é a renda com que as famílias contam para poderem consumir.
Despesa - é o total dos gastos efectuados pelos agentes económicos na aquisição de bens e serviços produzidos pela sociedade.Investimento - refere-se às despesas voltadas para a ampliação da capacidade produtiva da economia. Ex. construção de uma hidroeléctrica, a construção ou ampliação de uma fábrica, a aquisição de novas máquinas e equipamentos por uma firma, etc.



Estruturas de mercado
Um mercado é o ponto de encontro entre os produtores e os vendedores de um dado produto, isto é, entre a oferta e a procura desse bem. Correntemente, o termo é também utilizado para analisar a formação dos preços dos vários produtos objecto de troca. Consideram-se habitualmente, partindo do critério da atomicidade (respeitante ao número de vendedores e de compradores presentes no mercado), nove possíveis formas (ou estruturas) de mercado: concorrência, oligopólio, monopólio, oligopsónio, oligopólio bilateral, monopólio condicionado, monopsónio, monopsónio condicionado e monopólio bilateral.
Focaremos de seguida, resumidamente, as quatro estruturas mais importantes:

1. Concorrência perfeita é, acima de tudo, uma estrutura caracterizada pela existência de inúmeros compradores e vendedores, de tal forma que nenhuma empresa consiga, por si só, ter influência sobre o preço de mercado (são aquilo a que se chama price-takers). Outras características importantes são a inexistência da possibilidade de se diferenciar (real ou ficticiamente) o produto (que é, portanto, homogéneo), a livre entrada e saída de empresas do mercado (indispensável aos ajustamentos de longo prazo conducentes ao lucro nulo), a perfeita mobilidade dos factores de produção a longo prazo, a ausência de influências governamentais e o perfeito conhecimento, por parte de todos os intervenientes, das condições do mercado. O mercado de concorrência é, na sua essência, totalmente aberto. Ex: mercado de hortifrutigranjeiros.


2. Num mercado monopolista, por seu lado, existem muitos compradores, mas apenas um vendedor do produto (que não apresenta sucedâneos próximos). É um mercado fechado, em que existem barreiras à entrada de novas empresas. Há várias causas conducentes ao aparecimento de um monopólio: a posse exclusiva de matérias-primas, autorizações governamentais para produzir, exclusividade da tecnologia de produção (que será ainda mais restritiva se estiver protegida por patentes), imposições governamentais quanto à dimensão do mercado (condicionamentos da dimensão da indústria) ou questões relacionadas com economias de escala (que geralmente levam à existência de monopólios naturais). Ex: controle de matérias-primas básicas, correios.

3. No oligopólio, existem poucas empresas e poucos consumidores. Há interacção entre as empresas: as acções de umas são afectadas pelas (re)acções de outras, que por sua vez são afectadas pelas acções das primeiras. De facto, a característica central do oligopólio é a de que cada empresa toma em consideração o comportamento de todas as outras, ao tomar as suas decisões quanto ao preço a praticar e ao volume da produção. Logo, na determinação do equilíbrio tem um interesse fulcral a estabilidade da actuação das empresas, isto é, o estado verificado quando terminam as reacções de todas elas.No estudo do oligopólio, considera-se em muitos casos a situação particular de duopólio (oferta formada por duas empresas). Ex: montadoras de veículos, indústrias de cimento.


4. Num mercado de concorrência monopolística, existe (tal como em concorrência pura) um elevado número de empresas, cada uma das quais a produzir um produto que é um substituto imperfeito dos das outras empresas. Esta estrutura está situada entre a concorrência perfeita e o monopólio, mas introduz dados novos, como a possibilidade de diferenciação do produto e a alteração dos gostos pela publicidade. É um mercado em que também existe a possibilidade de entrada e saída de empresas. Ex: grifes de roupas, ténis, refrigerante etc...


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