Os bons terão sempre lugar no jornalismo

Antigo director da Televisão de Cabo Verde, Daniel Medina é Professor Doutor da Universidade Lusófona de Cabo Verde (ULCV), no curso de Ciências da Comunicação. Jornalista, cronista de rádio e jornal, comentador da televisão, Medina é um comunicador nato. Nha Terra Online foi conhecer o autor de Pela Geografia do Prazer que se prepara para lançar novo livro no mercado e saber a sua opinião sobre o jornalismo caboverdiano, a sua vida de docente, entre outras questões.

Banalização da Profissão de Jornalismo em Cabo Verde

Em vários artigos nossos publicados em Cabo Verde temos vindo a alertar o Governo e aos cidadãos, pela degradação galopante do nosso “jornalismo”. Colocamos aqui a palavra jornalismo entre aspas, porque em nosso entender não existe o jornalismo cabo-verdiano.

Diversidade de Cursos na Comunicação

Uma das causas apontadas para menos vestibulandos interessados em Jornalismo é o número de opções relacionadas à comunicação. Muitos com vocação para cinema e fotografia, por exemplo, acabavam no curso por falta de opção. Existem alguns cursos de graduação e de tecnologia que podem estar por trás do fenômeno.

Como fazer um Resumo

O resumo é uma forma de reunir e apresentar por escrito, de maneira concisa, coerente e frequentemente selectiva, as informações básicas de um texto pré-existente. É a condensação de um texto, pondo-se em destaque os elementos de maior interesse e importância.

Bibliotecas Virtuais

grande referência na área de bibliotecas virtuais, com os sites mais importantes para informação e comunicação sobre ciência e tecnologia

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domingo, janeiro 16, 2011

Wladimir Brito: “Com este Código Eleitoral, a imprensa está de mãos atadas”

Wladimir Brito: “Com este Código Eleitoral, a imprensa está de mãos atadas”





O Código Eleitoral, no que toca à imprensa, tem preceitos que são “manifestamente inconstitucionais”, diz o jurista Wladimir Brito, tido como o “pai” da Constituição de Cabo Verde. Entrevistado via telefone por A Semana, a propósito das recentes decisões da Comissão Nacional de Eleições, Brito vem confirmar o que já se suspeitava: a coima que a CNE aplicou a este jornal briga com o direito à liberdade de informação e opinião. Mas as “aberrações” não ficam por aqui.

A CNE tem vindo a aplicar coimas aos jornais por falta de isenção, ao abrigo do novo Código Eleitoral (CE). Não estaremos diante de uma restrição do direito à liberdade de informação e opinião assegurado pela Constituição da República (CR)?


FONTE: ASemana

quinta-feira, setembro 16, 2010

Universidade de Santiago abre curso de Comunicação Social


A Universidade de Santiago (US) tem um novo curso. Trata-se da licenciatura em Comunicação Social, que segundo o Vice-Reitor, Fernando Jorge já tem luz verde da Direcção-Geral do Ensino Superior, para a sua criação. O curso terá duas vertentes: jornalismo e comunicação empresarial que, em principio, funcionará em dois períodos: diurno e pós-laboral.

Para ministrar esta licenciatura, a US conta com um corpo docente de doutores e mestres nacionais e estrangeiros. Brasil, Portugal e Estados Unidos da América são nacionalidades donde virão alguns professores, sem contar, é claro, com os académicos nacionais.

Neste momento, as inscrições estão abertas e “dependendo do número de inscritos, o curso será ministrado na US em assomada e no Pólo da Praia, a funcionar no Seminário de São José em Prainha”, explica Fernando Jorge reconhecendo que Cabo Verde tem muito bons jornalistas mas que precisamos, entretanto inculcar, no seio dos jornalistas, um espírito mais critico.

“A componente teórico-prático é fundamental, para o exercício duma profissão tão nobre, para o desenvolvimento do País, quanto é o jornalismo” defende aquele académico que acredita que o jornalismo de investigação passa, necessariamente, por uma sólida formação universitária assente nos conhecimentos teóricos, aliados a praticabilidade da profissão.

Fonte: Liberal Online

segunda-feira, agosto 02, 2010

GOVERNAÇÃO E LIBERDADE DE IMPRENSA


Francis Balle, sociólogo francês, já tinha dito que se “deve evitar o controlo estatal da comunicação social, na medida em que ele permite que alguém tenha o monopólio da verdade. E quem consegue monopolizar a verdade atinge o absoluto, não podendo ser contrariado, já que se assume como o único que sabe tudo

Muitas vezes, ou na maior parte das vezes, existe uma relação contraditória entre a media, o Governo e a sociedade civil. Muitos políticos olham para a imprensa como instrumento do Governo, não como uma força independente emanada do Povo. Alguns têm a arte de seduzir a imprensa, outros de criticá-la.

O governante moderno já compreendeu que, para uma governação mais eficiente, precisa dos media para chegar ao povo. Falta é a exigência de um respeito mútuo entre as partes (media e política) e perceber que não são aliados, mas adversários. Cada um tem o seu lugar no nosso esquema político.

O Governo rege o País e o media tenta descobrir tudo o que se passa nesse sistema. “É da natureza de uma democracia florescer através do conflito com a imprensa e o Governo, sem ser consumida por esse mesmo conflito” - Bill D. Moyers

O jornalismo cabo-verdiano evoluiu muito, desde 1842, aquando da publicação do primeiro Boletim Oficial. Temos hoje uma proliferação de meios de comunicação social no País. Temos uma televisão estatal, muito contestada por quase todos os sectores da sociedade; temos televisões privadas que não trouxeram nada de novo ao panorama nacional - são mais canais de entretenimento do que estações que se dedicam a um jornalismo sério. Temos jornais impressos que são conotados com partidos políticos, ou seja, quando queremos ver falar mal de um partido, compramos um jornal, e se queremos ver as notícias más sobre o partido B, compramos o jornal C. A nível radiofónico, o País está melhor servido, tanto a nível da diversidade, como quanto ao alcance que as radios atingem. Os jornais on line são o mesmo dos impressos, a nível de conteúdo; e temos ainda os blogs, onde podemos encontrar opiniões de cidadãos comuns sobre a actualidade crioula.

Em Cabo Verde, como noutras paragens, é cada vez mais comum, os meios de comunicação serem propriedade de grupos económicos limitados. Esta concentração da propriedade dos meios comunicação social num reduzido número de grupos económicos, pode ameaçar o poder de intervenção no espaço público e manter nas mãos de um clube restrito a capacidade de recolher, tratar e difundir a informação. Outra consequência dessa concentração é a maximização do lucro, emagrecendo as redacções com políticas de baixos salários e uma situação precária dos jornalistas, o que aumenta os riscos de prevaricação entre jornalismo e política. (É mais fácil corromper um jornalista mal pago e com uma família para sustentar).

Embora, seja algo não assumido, nem pelos governantes, nem pelos jornalistas, é uma verdade este conflito de interesses entre jornalismo e politica, este jogo de poder e contra-poder, de influência. O que vai contra a ideologia jornalistica que é suposto ser livre e independente. Mas isto, não quer dizer que não haja liberdade de imprensa no País. Quanto a mim, há uma liberdade limitada pelas circunstâncias do orgão ou do grupo para o qual o jornalista exerce a sua função.

Os media, à sua maneira, com as dificuldades e as contingências a que estão sujeitos, estão a ajudar no processo de consolidação da democracia cabo-verdiana. Nos últimos tempos, em Cabo Verde, muito se tem discutido sobre a independência dos media, em particular da televisão nacional (TCV). Sendo uma estação pública, com o dever de desempenhar o seu papel de informar e de alertar os cidadãos, considero que a TCV não é um exemplo de pluralismo, facto que ao longo dos anos e dos sucessivos governos temos acompanhado. No fundo, a maior parte dos organismos do serviço público, os chamados meios de comunicação social do Estado, não passam de instrumentos ao serviço daqueles que dizem fomentar uma boa governação.

Também Francis Balle, sociólogo francês, já tinha dito que se “deve evitar o controlo estatal da comunicação social, na medida em que ele permite que alguém tenha o monopólio da verdade. E quem consegue monopolizar a verdade atinge o absoluto, não podendo ser contrariado, já que se assume como o único que sabe tudo”. A objectividade senão é o maior, é sem dúvida, um dos maiores mitos do jornalismo, pois, cada um de nós vê o que a sua própria experiência o leva a ver, depende muitas vezes de quem é o observador.

Actualmente, segundo Repórteres Sem Fronteiras, na sua classificação anual sobre a relação dos países e a liberdade de imprensa, Cabo Verde somou 11 pontos e desceu no ranking, baixando à 44ª posição, situando-se, apesar disso, entre os 50 países com maior liberdade de imprensa. A posição em 2008 era 36ª.

Os jornalistas também têm razão de queixa, como é o caso do agente da Polícia Judiciária que agrediu um repórter na execução das suas funções. Um exemplo claro da violação da liberdade de imprensa. Um caso que ficou-se pelo protesto dos jornalistas e pelo pedido de desculpas da Polícia Judiciária. São factos como estes que demonstram a falta de protecção dos profissionais da comunicação, o que os coloca muitas vezes da posição de não querer fazer determinadas tarefas, por receio ou por se sentirem inseguros. O que prejudica um jornalismo plural e credível. Não se fomenta um jornalismo investigativo, não se aprofundam os temas, que ficam pelo tratamento circunstancial de uma breve notícia. E não se aposta na continuidade ou no seguimento das histórias. Cabo Verde, enquanto Nação, País soberano e Estado de Direito Democrático, consagra ampla liberdade de Expressão e Informação na Constituição da República. Recentemente (Maio 2010), o Parlamento cabo-verdiano aprovou o novo Estatuto dos Jornalistas, em que a principal alteração estabelece a obrigatoriedade de formação superior para aceder à prática do jornalismo em Cabo Verde. Jornalistas com menos de 10 anos de profissão e sem diploma universitário devem fazer uma formação superior no prazo de cinco anos para continuarem na profissão.

A classe jornalística no País não é unida, o que facilita a conspurcação dos profissionais. Muitas vezes, os jornalistas vêm-se como rivais e não como profissionais que lutam pela mesma causa: melhores condições de trabalho e maior liberdade no exercício da sua função.

Ter um estatuto e um código deontológico forte e moderno, que reúna as regras que orientam o exercício da profissão, é com certeza um passo importante para um jornalismo mais eficiente e credível.

A instituição de uma carteira profissional dos jornalistas, a aposta na formação, a criação de uma entidade auto-reguladora do padrão da qualidade, a não intromissão do Estado e dos partidos políticos nos conteúdos dos media, tudo isso, pode trazer um maior equilíbrio entre a liberdade de imprensa e a responsabilidade social dos media.

Quando se verificar isto, na prática, quem sai a ganhar é a democracia e a liberdade de imprensa.


Erzinete Borges, Licenciada em Comunicação Social, Jornalista

terça-feira, junho 29, 2010

Auto-regulação, autocensura e autonomia

Auto-regulação não é um sinônimo de autocensura no contexto das redações jornalísticas, porque, apesar das duas expressões terem algo em comum, referem-se a dois posicionamentos distintos: a auto-regulação se baseia em princípios gerais que cada profissional aplica individualmente, enquanto a auto-censura uma norma apoiada na conveniência institucional e aplicada coletivamente.


Ambos os conceitos tem em comum o fato de se constituírem numa limitação auto-imposta e que atende a conjunturas concretas. No caso da auto-regulação, ela está baseada num consenso baseado em princípios que podem ser culturais, morais ou éticos. No caso da autocensura, temos uma decisão imposta que será aplicada pelo grupo social, no caso as redações, para atender a uma necessidade concreta, geralmente a da sobrevivência de interesses corporativos.

Tanto a auto-regulação como a autocensura, estão situadas dentro do quadro da autonomia, ou seja, são posicionamentos desenvolvidos sem interferência de órgãos superiores, como por exemplo, o governo.

Bom, tudo isto para chegar ao ponto crucial. A autocensura é questionável porque limita a nossa capacidade de pensar e anula a diversidade na troca de informações. Ela tende a uniformizar conteúdos a pretexto de preservar interesses e conveniências. Ao eliminar ou reduzir a diversidade de informações, a autocensura agride o jornalismo porque priva o público de dados, fatos e processos necessários para a formação de opiniões e tomada de decisões.

A auto-regulação obedece a uma lógica totalmente diferente. Ela se baseia na diversidade para, por meio da troca de informações, chegar a um consenso sobre o que pode ameaçar uma determinada comunidade social e seus integrantes. É o que acontece quando as famílias procuram evitar que crianças tenham acesso a filmes violentos. A preocupação não é reduzir a liberdade de informação mas evitar desordens emocionais em seres que ainda não chegaram à maturidade plena.

Alguns leitores comentaram que a auto-regulação é um atentado à liberdade de informação, numa reafirmação do famoso dito de que a melhor lei é aquela que não existe. Só que isto não passa de uma frase de efeito sem nenhuma correspondência prática. Não existe liberdade total, simplesmente porque vivemos em comunidades sociais onde há um bem-estar comum e um bem estar individual. Ora um é mais importante, ora o outro.

A auto-regulamentação sempre existiu e a maior prova dela são as Constituições nacionais. Ela, em tese, seria a materialização do consenso entre os residentes num mesmo país. No caso da imprensa, o argumento de liberdade irrestrita de informação esconde uma falácia, a de que os jornais, emissoras de rádio, televisão, revistas e internet informam tudo. Isto além de não ser verdade, é impossível e inviável.

Assim, a auto- regulamentação informativa tem a ver com a geração de consensos (o plural é importante) sobre o tipo de informação que pode ameaçar, por exemplo, grupos étnicos, direitos civis, o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes, a privacidade de suspeitos sem culpa formada, etc etc.

Estes consensos, que são específicos para cada caso e que evoluem com o tempo, devem incorporar princípios éticos porque dependem de valores desenvolvidos pela própria sociedade.

Em suma, e para terminar, auto-regulação informativa baseada na ética significa desenvolver no interior das redações jornalísticas de todos os tipos, consensos informativos que orientarão os profissionais sobre o tipo de conteúdo que será oferecido ao público numa determinada região, numa conjuntura precisa e num momento definido.
É a minha colaboração para um debate onde você leitor, tem o papel mais importante porque soma das experiências e conhecimentos de todos vocês é bem maior do que a minha.

quarta-feira, junho 23, 2010

Banco de CV institui prémio Jornalismo Económico


O Banco de Cabo Verde dispõe-se a desenvolver o jornalismo cabo-verdiano, proporcionando-lhe condições para a especialização na área da economia. É óbvio que a existência de um jornalismo forte e especializado é também uma das condições para o desenvolvimento do tecido económico do País.Assim, o Banco de Cabo Verde instituiu um Prémio – Prémio Jornalismo Económico -, cujo regulamento publicamos:


PRÉMIO JORNALISMO ECONÓMICO


Edição de 2005


1. Enquadramento

No intuito de contribuir para aumentar o conhecimento do funcionamento da economia e desenvolver na sociedade cabo-verdiana o gosto por temas económicos, o Banco de Cabo Verde pretende apoiar e incentivar a pesquisa, a organização e a divulgação de trabalhos, que visem aprofundar o conhecimento da realidade económica, factor essencial ao desenvolvimento nacional. Foi assim que instituiu o Prémio Jornalismo Económico, com o objectivo de galardoar o(s) autor(es) de trabalhos de excelência versando temas actuais e originais da realidade económica e financeira de Cabo Verde, destinado a distinguir trabalhos elaborados por jornalistas nacionais, residentes no país ou no estrangeiro.


Neste sentido, o Banco de Cabo Verde anuncia que se encontra aberto o concurso para atribuição do Prémio Jornalismo Económico–Edição de 2005, o qual se rege pelas cláusulas do Regulamento do Prémio Jornalismo, que pode ser consultado na página da internet, www.bcv.cv. Para coordenar todo o processo, foi designada pelo Conselho de Administração do Banco de Cabo Verde uma Comissão de Regulamentação, Coordenação e Avaliação do Prémio, que avaliará e seleccionará os trabalhos concorrentes.


2. Prazo de Entrega

Os trabalhos deverão ser entregues até 31 de Agosto de 2005, na Sede do Banco de Cabo Verde, Avenida Amílcar Cabral, Praia, ou enviados por correio para o endereço Av. Amílcar Cabral, C.P. n.º 101, Praia, Cabo Verde.


3. Prémios

a. Ao melhor trabalho será atribuído um Prémio de 150 contos;


b. Ao(s) premiado(s) o Banco de Cabo Verde poderá proporcionar um estágio de curta duração, numa ou em diversas áreas da sua actuação.


4. Casos Omissos

Os casos omissos e dúvidas que não forem esclarecidos pelo Regulamento serão resolvidos pela Comissão designada.


segunda-feira, maio 10, 2010

A dualidade linguística no jornalismo cabo-verdiano


Resumo
O jornalismo é um elemento importante para a configuração do espaço comunicacional de qualquer país. No exercício dessa actividade, a língua, nas suas mais diversas manifestações, tem um papel de extrema importância. É através dela que a maioria dos acontecimentos e factos importantes chegam ao conhecimento dos membros de uma dada sociedade.
Em Cabo Verde, verifica-se uma conjugação de duas ferramentas linguísticas no processo comunicativo. A olho nu, pode-se ver que há uma divisão de áreas de influência: o português dominou o campo da escrita e o crioulo assegurou, para si, o privilégio de ser a língua mais falada no país. Dentro deste panorama, verificamos que a imprensa escrita e os media audiovisuais têm as suas formas próprias de lidar com a situação. Se os jornais e as outras publicações escritas optam por traduzir os enunciados do Crioulo para o Português, as rádios e a televisão conjugam esses dos idiomas, numa espécie de diálogo inter-cultural entre as línguas. No entanto, regra geral, a primazia é dada à língua de Camões.

Palavras-chaves: Comunicação, linguagem, jornalismo, fontes de informação, consumo de notícias.

Para ler todo o texto de Silvino Lopes Évora, clique aqui

Banalização da Profissão de Jornalismo em Cabo Verde


Em vários artigos nossos publicados em Cabo Verde temos vindo a alertar o Governo e aos cidadãos, pela degradação galopante do nosso “jornalismo”. Colocamos aqui a palavra jornalismo entre aspas, porque em nosso entender não existe o jornalismo cabo-verdiano. O que existe é aquilo que Mário Mesquita chama de “jornalismo militante” comprometido com os poderes político-económicos (2004:55). A par disso e, por outro lado, não podemos falar em jornalismo cabo-verdiano, quando ainda não somos, suficientemente capazes de “pensar pelas nossas próprias cabeças” a problemática do jornalismo no nosso País. Não é que não tenhamos gente capaz de elaborar ideias doutrinárias e, a partir daí, criar uma escola de pensamento jornalístico com lastro cabo-verdiano.

O problema maior prende-se com o comprometimento dos profissionais da comunicação social com o sistema de interesse instalado no seio da classe, tendo como pano de fundo, a cumplicidade do Governo. Por isso, enquanto não atingirmos o patamar de autonomia cognitiva e demarcar da promiscuidade com os poderes, não podemos falar, rigorosamente, em jornalismo cabo-verdiano. Temos sim, o jornalismo de “sarjeta” onde os princípios da ética e da deontologia da profissão são sistematicamente violados em prol dos interesses dos poderes. Em democracia o jornalismo deve sim, desempenhar um papel de watchdog – cão de guarda – “das instituições perante os desvios, as prepotências e os abusos do poder” (Mesquita, 2004:74).

Mas o propósito deste nosso artigo não é este. Contamos retomar esta questão sobre a existência ou não de um “jornalismo cabo-verdiano” numa próxima ocasião e/ou em fórum próprio. Deste modo, lançamos um desafio, desde logo, aos nossos colegas a reflectirem-se sobre esta controversa em ordem a encontrarmos uma designação mais apropriada para aquilo que designamos por “jornalismo cabo-verdiano”.

Serviço Público de Televisão: precisa-se
O objecto desta reflexão tem que ver, justamente, com as Políticas de Comunicação para os media em Cabo Verde, particularmente para o sector de audiovisual. Como é de domínio público a Televisão de Cabo Verde (TCV) ao longo dos seus 23 anos de existência, pouco ou nada tem contribuído para a formação da consciência dos cidadãos tão-pouco para a consolidação da nossa jovem democracia. É só fazer uma pequena observação pelo nível da sua grelha de programação e pelos alinhamentos dos telejornais que, quanto a nós, é uma lástima, do ponto de vista técnico e visa servir unicamente os interesses do Executivo. Basta dizer que a TCV subvencionada pelo erário público tem apenas 5 horas de programação diária em que não se vislumbra, na sua grelha de programas, o verdadeiro sentido de serviço público de televisão. Mas isto tem uma explicação muito simples que, com certeza, os cabo-verdianos já se aperceberam: é que a génese da televisão cabo-verdiana assenta em conhecimentos adquiridos no campo da “universidade da tarimba”.

Ora, o jornalismo televisivo ou não, requer algum grau de abstracção da realidade social. Creio que os tarimbeiros não estarão “formatados” para lidar com realidade tão complexa quanto é a jornalística. Informar, ser informado e informa-se, requer um exercício intelectual para o qual os nossos “confrades” oriundos da escola da tarimba não estão habituados. É preciso uma cultura de valores jornalísticos que, seguramente, não se compaginam com a “universidade da tarimba”. Não obstante, a classe jornalística cabo-verdiana conta hoje, com um número significativo de profissionais com curso superior em Jornalismo, Ciências da Comunicação ou simplesmente Comunicação Social, ainda assim, continuamos a conviver, sobretudo na televisão e na rádio públicas, com um “jornalismo” fortemente influenciado por sequelas tarimbeiras. Curiosamente, são os próprios tarimbeiros gatekeepers, comissários políticos colocados estrategicamente, nestas estações do Estado, que determinam o conteúdo informativo que os cidadãos devem ou não ter acesso. Ou seja, uma espécie de porteiro, que abre e fecha a porta para as notícias que incomodam ou não os poderes.

Jornalistas em um mês e tal
Como se não bastasse o estádio calamitoso por que atravessa o sector audiovisual em Cabo Verde vem, aqui há dias, a ministra, Sara Lopes, que tutela a Comunicação Social, anunciar com pompa e circunstância, a formação de um mês e tal, de alguns jovens com 12º Ano de Escolaridade, em jornalismo televisivo, em ordem a serem os futuros correspondentes da Televisão de Cabo Verde em diferentes localidades do País.
Ora bem, esta decisão do Governo revela, desde logo, um total desconhecimento da importância do jornalismo no processo de formação dos cidadãos e, consequentemente, da sua participação na vida pública do País. Significa ainda, a banalização da profissão de jornalismo, numa altura em que Cabo Verde conta com vários profissionais com formação superior, em diversas universidades europeias, brasileiras e mesmo nacional (Universidade Jean Piaget), que se encontram na prateleira ou no desemprego. Alguns sentiram-se já obrigados a abraçar outras áreas distantes da sua formação para poderem sobreviver. Daí que, em nosso entender, esta opção do Governo é, de todo, errado, sabendo que existem profissionais qualificados sem oportunidade de emprego. É preciso dignificar a profissão de jornalista em Cabo Verde, enquanto, parceira do desenvolvimento do País, sobretudo numa altura em que o arquipélago se prepara para fazer parte das “fileiras” dos Países de Desenvolvimento Médio e à espera, para breve, de uma aproximação à Europa, através da Estatuto Especial junto da União Europeia.
”Não podemos continuar a ver as pessoas formadas no desemprego e o Governo a dar aos jovens um ou dois meses de formação para ocuparem o lugar daqueles que passaram três, quatro ou cinco anos em Universidades, Institutos ou Escolas Profissionalizantes a ‘matarem a vida’ para obterem uma formação”, repudia um profissional licenciado em Ciências da Comunicação, em conversa connosco, que se encontra no mundo dos desempregados da classe.

Por conseguinte, salvo o devido respeito, pelos jovens que concluem, arduamente, o 12º Ano e que precisam de uma formação universitária e/ou técnico-profissional, a fim de poderem garantir o seu futuro, mas não acreditamos, sinceramente, que com apenas um mês e tal de formação, estariam em condições técnico-congnitivas para o exercício do jornalismo.

De acordo com o Jornal Online Liberal a formação ministrada por professores da Universidade de Aveiro vai abordar temas como: noções de jornalismo e notícias; reportagem em televisão; ética e deontologia e relações com as fontes de informação. Estas noções aprendem-se ao longo de um curso em Jornalismo, Ciências da Comunicação ou Comunicação Social. Portanto, é manifestamente falacioso pensar que um (a) jovem que acabasse o ensino secundário conseguiria incorporar em apenas um mês e tal, noções sobre o jornalismo, ainda que básicas, que lhe permitissem exercer com alguma qualidade a profissão. Aliás, é o próprio Estatuto do Jornalista nos seus artigos: 5º; 6º e 7º que impossibilita esses jovens de exercer a profissão.

Senão vejamos: “Podem ser jornalistas profissionais os cidadãos maiores, no pleno gozo dos direitos civis e com formação específica na área de jornalismo oficialmente reconhecida” (nº 1 do Arº 5º do Estatuto do Jornalista). A minha questão é esta: quem vai “reconhecer oficialmente” estes supostos correspondentes da TCV. Será a senhora ministra da tutela? Sim, porque o Ministério da Educação não será, com certeza? O nº 1 do Artº 6º do mesmo documento acrescenta ainda que, “Ninguém pode exercer a profissão de jornalista sem estar habilitada com o respectivo título”. Estará, com um mês e tal de formação, esses jovens capacitados para obterem o título e exercerem, imediatamente a profissão?

“Sem prejuízo do período experimental, os indivíduos que ingressam na profissão de jornalista terão a qualificação que estagiários, por um período de seis meses, se possuírem curso superior que confira licenciatura, ou de dois anos, nos restantes casos.” (Artº 7º do Estatuto do Jornalista). No caso ad-hoc os futuros jornalistas correspondentes, depois de mês e tal de formação ser-lhes-ão distribuídos Kits prontos para fazerem uma cobertura jornalística. Por isso, a nossa dúvida crucial é, qual será o enquadramento que lhes espera?

Como diria um confrade e amigo meu, serão esses “jornalistas” que irão fazer a cobertura mediática dos acontecimentos relativos ao próximo pleito eleitoral que se avizinha nos diversos concelhos do país. É claro que esses jovens não irão, certamente, para além das noções básicas em jornalismo. Portanto, meus senhores não brinquem com coisas tão sérias quanto é a profissão de jornalismo.

Por: Carlos Sá Nogueira*
• Jornalista e mestrando em Ciências da Comunicação – Especialidade em Informação e Jornalismo, na Universidade do Minho.
• E-mail: sanogueiraborges@hotmail.com

Fonte: www.nosmedia.wordpress.com

Prémio de Jornalismo ARE


A Agência de Regulação Económica, ARE, em parceria com a Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), lança o Prémio de Jornalismo ARE (PJA), destinado aos jornalistas e equiparados que trabalham para um órgão de comunicação social como ocupação principal ou em regime de free-lancer.

Com a atribuição deste prémio pretendemos distinguir, anualmente, o melhor trabalho jornalístico nas vertentes impressa, rádio, televisão e on-line, valendo-se do principio de que a regulação só terá força quando a sociedade compreender bem do que se trata, e reconhecendo o importante papel dos jornalistas no alcançar desse objectivo.

Esperamos, com isso, por um lado promover a excelência no jornalismo cabo-verdiano, e por outro despertar através do desenvolvimento das informações o interesse da classe para o tema regulação económica.

Ao prémio poderão concorrer todos os jornalistas cabo-verdianos com trabalhos de investigação publicados em qualquer meio de comunicação social do país.

São critérios de elegibilidade:
  1. Nacionalidade cabo-verdiana;

  1. Reportagens publicadas em jornais, revistas e sites cabo-verdianos deverão ter entre 9500 e 10500 caracteres, incluindo espaços;

  1. Reportagens televisivas que forem difundidos em televisões no país, e que tenham entre 05 e 30 minutos;

  1. Todas as reportagens deverão ser fruto de uma investigação que conduza à sua elaboração;

  1. Não serão aceites quaisquer trabalhos que já tenham sido publicados ou difundidos em anos anteriores, ou tenham sido distinguidos;

  1. As candidaturas deverão dar entrada nos Correios de Cabo Verde até 31 de Dezembro de cada ano para o seguinte endereço e indicação:
Prémio de Jornalismo ARE
ARE – Agência de Regulação Económica
Av. Cidade de Lisboa CP. 785 - Praia
  1. O Prémio de Jornalismo ARE atribuirá a quantia de 350.000$00 (Trezentos e cinquenta mil escudos) à melhor reportagem jornalística impressa, televisiva ou radiofónica publicada ou difundida até 30 de Dezembro de cada ano.

  1. O júri será constituído por 2 (dois) jornalistas designados pela AJOC que não sejam concorrentes ao PNJ sendo um da área impressa e outro do sector audiovisual; 1 (um) equiparado a jornalistas, sendo repórter de imagem; 1 (um) trabalhador da ARE designado por esta;

  1. Os trabalhos escritos e publicados deverão ser enviados em formato A4, fonte Times New Roman, tamanho 12, com a data e local da publicação, e cd-rom com ficheiro único;

  1. Os trabalhos audiovisuais deverão ser enviados em formato CDROM (Rádio) e DVD (Televisão), e acompanhados dos referidos scripts;

  1. As candidaturas que não estiverem em conformidade com os termos de referência serão automaticamente excluídos;

  1. Entre 2 e 20 de Janeiro o júri julga os trabalhos;

  1. O prémio será entregue por ocasião do 12 de Fevereiro, dia em que se assinala aniversário da ARE;

  1. A decisão do júri é inapelável.

quinta-feira, maio 06, 2010

Pedro Bicudo fala de Violência e Jornalismo na Universidade Lusófona de Cabo Verde


“Será que a violência no ecrã leva à réplica do acto ou, por outro lado, torna as pessoas insensíveis aos actos de violência no dia-a-dia?” foi com esta questão que o jornalista português, Pedro Bicudo, iniciou ontem (5) a palestra Os Media e a Violência, na Universidade Lusófona de Cabo Verde, em Mindelo.

Foi por iniciativa da Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) que Pedro Bicudo, antigo correspondente da Rádio Televisão Portuguesa – RTP- em Washington (EUA) e actual director da RTP/Açores esteve no nosso país para uma série de palestras. Estas acções inserem-se na comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 3 de Maio.

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Para o conferencista, “a notícia é um evento que é caracterizada por ser algo inusitado, diferente ou surpreendente. A violência partilha muitas dessas características. Isto torna-as irmãs. Por isso que muitos telejornais abrem com notícias de violência.”

Pedro Bicudo apela à comunicação social que dê voz às vítimas de violência. “Aqueles que tem menos poder são aqueles que mais sofrem com a violência: as crianças, idosos e mulheres. Outra violência que raramente chega às televisões é aquela contra as minorias. Existe, em Cabo Verde, uma violência latente em relação às lojas chinesas ou aos vendedores ambulantes da costa africana”.

“Actualmente, com o avanço do fotojornalismo, há uma alteração das primeiras páginas dos jornais, que procuram chocar através das imagens. Até que ponto escolhemos um site de notícias tendo em conta as imagens mais fortes, ou seja, imagens de violência?”

Segundo Pedro Bicudo, para que o jornalista se torne um melhor codificador da informação acerca do fenómeno da violência precisa especializar-se. “Não havendo especialistas no jornalismo, podemos transmitir notícias com pouco conteúdo. Mais, para abordar certas questões delicadas sobre a violência é necessário um livro de estilo em cada redacção, com as normas e protocolos a seguir nestes casos. Por fim, é preciso um trabalho conjunto ou jornalismo comunitário. É estar a par e trabalhar com as associações que lidam com a violência, presentes na comunidade”.

Fonte: www.nhaterra.com.cv

terça-feira, maio 04, 2010

Pedro Bicudo fala de Violência e Jornalismo na Praia e Mindelo


A Associação dos Jornalistas de Cabo Verde, AJOC, realizou, ontem à noite na Casa de Imprensa, uma conferência subordinada ao tema "Violência e Jornalismo". O evento que decorreu no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado 03 de Maio teve como conferencista, o jornalista português da RTP, Pedro Bicudo.

O conferencista disse tema da violência exige muito rigor na sua abordagem jornalística. "Primeiro de tudo tentar perceber o que é violência, como um fenómeno recente das nossas sociedades, ao mesmo tempo a extrema ligação que existe entre todo o processo de criação noticiosa e a própria natureza da violência há quase uma convergência" disse Pedro Bicudo.

O jornalista adiantou, também, que "o crescer" da violência dentro da informação exige que o jornalista se especialize, como acontece noutras áreas como a economia, politica e desporto. "A violência é uma área que precisa ser tratada com muito rigor, muito critério e sobretudo com muita ética" afirmou Bicudo para acrescentar que dentro do poder judicial há uma grande necessidade de especialização.

Para esta terça-feira, 04, a AJOC promove duas conferências sobre "informação em televisão regional", na Uni Piaget a ser proferida por Pedro Bicudo e "importância do sindicalismo no exercício da profissão do jornalista - experiência brasileira" pelo sindicalista brasileiro Alcimir Carmo, director regional em Bauru do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

As mesmas conferências realizadas na cidade da Praia vão acontecer em Mindelo, na quarta-feira, 05, na Universidade Lusófona.

Fonte: Jornal Expresso das Ilhas

quarta-feira, abril 28, 2010

Os bons terão sempre lugar no jornalismo, defende Daniel Medina





Antigo director da Televisão de Cabo Verde, Daniel Medina é Professor Doutor da Universidade Lusófona de Cabo Verde (ULCV), no curso de Ciências da Comunicação. Jornalista, cronista de rádio e jornal, comentador da televisão, Medina é um comunicador nato. Nha Terra Online foi conhecer o autor de Pela Geografia do Prazer que se prepara para lançar novo livro no mercado e saber a sua opinião sobre o jornalismo caboverdiano, a sua vida de docente, entre outras questões.

Fotos: Odair Varela

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Como é o seu dia-a-dia como jornalista?

Neste momento não sou jornalista a tempo inteiro, mas sim em part time, mas quando era jornalista oem Portugal, meu dia-a-dia era fulgurante. As seis da manhã já estava a ouvir rádio, particularmente a TSF que passa notícias vinte e quatro horas, por dia. As sete horas tinha que estar com vários jornais a frente enquanto tomava o pequeno-almoço, a ler e a ver quais eram as principais notícias do dia e já tinha passado os olhos pela televisão para saber a temperatura do dia. Depois é que o dia começava mesmo, com reunião da redacção e depois era o que Deus quiser.


O que o jornalismo cabo-verdiano tem de bom e de menos bom?

O jornalismo caboverdiano ainda está a nascer, a ganhar experiência, a ganhar em termos democráticos, estatuto e alguma sapiência. Não penso que tenha algo de mau, tem muito ainda para dar. O que pode ser considerado menos positivo é alguma partidarização de uns colegas, que ao fazerem determinadas intervenções, deixam transparecer claramente a sua linha partidária. Por outro lado, alguma dependência que os órgãos, particularmente os privados, têm em relação ao domínio económico.


Segundo o Artigo 5º do Estatuto do Jornalista, só pode ser jornalista, quem possui um diploma. Essa uma condição sine qua non para se ser um bom jornalista?

Não, porque nas nossas experiências, temos encontrado pessoas que não têm formação na área do jornalismo mas que no entanto tem dado uma contribuição extraordinária.


O anterior presidente da Associação dos Jornalistas de Cabo Verde [Paulo Lima] é da opinião de que o mercado da Comunicação Social irá saturar com a nova vaga de jornalistas que se estão a formar. Qual a sua percepção?

Tenho duas percepções: a primeira é que para os bons haverá sempre lugar. E como Cabo Verde é um País em desenvolvimento, vamos precisar em várias áreas de comunicação, de pessoas competentes. Ainda o mercado não está saturado, possivelmente daqui a uns quatro ou cinco anos o mercado poderá ficar saturado, mas ainda ele não está.


Há produto suficiente (notícias, demanda por publicidade, necessidade de assessoria de imagem, etc.) que justifique a criação de empresa própria na área de Comunicação?

Há espaço ainda para muitas empresas de comunicação, seja de imagem, design ou publicidade que estão ainda virgem ou quase virgem. Como costumo dizer faltam pessoas audazes e que acreditam na sua capacidade, que comecem do zero a fazer coisas com garra mas querendo ser bons, não é mais ou menos desenrascar. Quando a pessoa começar, começa a pensar “eu vou ser bom, neste momento ainda não sou bom mas quero ser bom”, ai há espaço para muita gente.


Qual a importância do domínio de novos idiomas na área de Comunicação?

É fundamental, o jornalista que não domine a língua portuguesa, a inglesa ou outra está frito, cada vez mais há línguas que tornam-se mais internacionais. Por exemplo, o mandarim [chinês oficial] começa a invadir o mundo. Temos que aprender com os chineses que aprendem a nossa língua para conseguir vender-nos algo. Dominar uma língua é dominar a mente e o mercado.

Actualmente é professor na Universidade Lusófona de Cabo Verde no curso de Ciências de Comunicação. Que características positivas a realçar dos estudantes? E que áreas acha que deveriam trabalhar mais?

Características positivas: acho que alguns alunos estão muito curiosos, muito combativos e interactivos. Menos positivos: de vez em quando encontramos alguns um bocado preguiçosos e que não dão combate ao professor, não fazem perguntas pertinente e estão sentados na cadeira a ouvir e a deixar o tempo passar. No compto geral o saldo é positivo, porque acho que os alunos são muito combativos e muito participativos.

Falta é aquilo que digo constantemente, que todos nós devemos fazer – e digo todos nós porque eu também sou vosso colega, só que sou menos novo ou mais velho – devíamos ler todos os dias, fazer perguntas e trocar experiências, porque é isso que faz um bom jornalista: leitura e perspicácia.


Aquilo que ensina-se nas Universidades é suficiente para formação de um bom profissional?

Nunca e nem pensar. O que se ensina em qualquer universidade do mundo só ajuda a que se fique licenciado ou autorizado a trabalhar. Quer dizer que um jornalista, em particular, vai-se formando ao longo da sua vida. Nunca um jornalista está completamente formado.


Existe a percepção de que alguns alunos escolheram a vertente Multimédia por questões financeiras. O jornalista realmente ganha menos que o profissional de Multimédia?

Em princípio sim, porque multimédia é uma área que tem muita procura, por isso as pessoas conseguem pôr o preço lá em cima. Estou-me a lembrar dos primeiros informáticos, em particular, aqueles que criavam as bases de dados, tinham uma vantagem, punham o preço que quisessem. Se dissessem que era duzentos contos, era isso porque não havia alternativas para ir procurar outro, é isso o que se passa na multimédia. Como ainda há pouca gente a trabalhar na área, as pessoas podem ganhar mais e podem colocar o preço que quiserem, mas isso só durante algum tempo.


Que recomendações aos jovens formandos em Comunicação Social?

Que acreditem que são capazes de serem cada dia muito melhores. Quero dizer, cada dia temos a oportunidade de ser muito melhores do que éramos ontem. Cada dia temos a oportunidade de aprender, nem que seja uma palavra ou uma ideia nova. Se isso acontecer, todos os dias tornaremos excelentes jornalistas e estaremos a cumprir com o nosso trabalho, que é informar e bem as pessoas.


O seu livro Geografia do Prazer foi apresentado em maio do ano anterior na ULCV. Fala-nos um pouco desta veia poética.

Não sei se tenho veia poética, acho que o meu livro de “sonho”, de poesia, vai ser o próximo, que se chama Tambor e vai sair dia 5 de março.

Falando de Pela Geografia do Prazer, para mim a vida é um eterno prazer, e aí falo muitas vezes de Freud. O livro é um bocado enigmático, falo de Freud porque desde o momento que começamos a sentir o mamilo da nossa mãe na boca, começamos a apaixonar-nos pela boca.

Se você analisar uma criança a mamar, vê como ela olha para a mãe e para o filho, começam a ficar apaixonados por causa daquela ligação, é o primeiro prazer. Depois há o prazer pelo cheiro, ao comer, aprender coisas todos os dias é um prazer, vivemos num mundo de imenso prazer e não nos damos conta disto.

E são as minhas vivências de solidão, devaneios, loucuras e experimentações que me fizeram escrever Pela Geografia o Prazer. Porque pela geografia, você tem várias coisas: é eu gostar de conhecer todas as ilhas de Cabo Verde é geografia, é eu gostar de conhecer milimetricamente o corpo de uma mulher é geografia. Porque nós somos seres sensoriais, são prazeres que vamos experimentando ao longo da vida.


Fonte: www.nhaterra.com.cv

quinta-feira, março 18, 2010

História dos Media em Cabo Verde



A história da Imprensa em Cabo Verde começou em 1842, com a publicação do primeiro Boletim Oficial do Governo Geral de Cabo Verde. O seu primeiro número saiu na ilha da Boa Vista, onde funcionava a sede do Governo. O Boletim, além dos assuntos oficiais, continha a chamada “parte não oficial”, que funcionava como um autêntico jornal - incluía noticiários resumidos de diversas publicações nacionais e estrangeiras, e produções literárias de autores cabo-verdianos ou residentes em Cabo Verde.


A história diz-nos que, 30 anos depois do suposto início, surgiu o primeiro jornal não oficial – O Independente – na cidade da Praia (ilha de São Tiago). Este jornal marca a entrada na 1ª fase da actividade jornalística em Cabo Verde, que se estende até 1890, data em que foi promulgado um Decreto que estabeleceu restrições à imprensa periódica. Os jornais publicados na 1ª fase foram: O Independente, Correio de Cabo Verde, Echo de Cabo Verde, A Imprensa, A Justiça, O Protesto, O Povo Praiense, O Praiense e Praia (quase todos de carácter político e noticioso).


Durante a 2ª fase, iniciada em 1889, foram publicados 4 jornais na cidade do Mindelo (ilha de S. Vicente): Revista de Cabo Verde (acolhida com muita simpatia pelos leitores), Liberdade (que não chegou a gozar de grande simpatia), A Opinião (jornal recebido com grande entusiasmo) e O Espectro (que pretendeu ser a sombra das vítimas da fome de 1903). Ainda nesta 2ª fase, foi publicado na Praia um número único, especial, do Jornal Cabo Verde, destinado a assinalar a passagem do príncipe real D. Luiz Filipe por Cabo Verde, em 1907.


A 3ª fase tem início com a Proclamação da República em Portugal, em 1910, e termina com a abolição da ditadura do Estado Novo, no dia 25 de Abril de 1974. Foi um período conturbado, mas fecundo, durante o qual foram publicados cerca de vinte jornais, assim como folhas manuscritas, da iniciativa de jovens estudantes do Seminário-Liceu de São Nicolau e do Colégio Municipal de São Vicente.

Na ilha de São Nicolau, os alunos internos do Seminário publicaram O Recreio, um jornal conservador. Já os alunos externos publicaram a Fénix Renascida, de cariz político, entre 1811 e 1913. Na Ilha de São Vicente, os finalistas do Colégio Municipal publicaram O Mindelense. A euforia provocada pela mudança de regime político era tal que, no ano de 1913, circulavam simultaneamente A Voz de Cabo Verde (jornal anticlerical e defensor da liberdade de imprensa), O Independente, O Futuro de Cabo Verde, O Progresso, A Tribuna e O Mindelense.

Outros jornais que se distinguiram nesta época foram: O Popular e Cabo Verde, (publicados no Mindelo nos anos de 1914 e 1920, respectivamente); O Caboverdiano, A Acção, A Seiva, e A Verdade (publicados na Praia, de 1918 a 1922); A Despesa, (publicado em 1913), O Manduco (publicado no Fogo a partir de 1923), O Notícias de Cabo Verde (fundado em 1931), O Eco de Cabo Verde e O Ressurgimento.


Em 1936, os consagrados escritores Baltazar Lopes da Silva e Jorge Barbosa iniciaram a publicação da revista neo-realista Claridade, que marcou o movimento neo-realista em todo o território português (à excepção do Brasil). No entanto, só a partir de 1950 é que a imprensa cabo-verdiana começou a ganhar expressão, sempre ligada à literatura. De 1940 a 1961, surgiram várias publicações em Cabo Verde, no seguimento dos movimentos liberais africanos. Muitos jornais foram extintos devido, principalmente, a problemas financeiros.


A 4ª fase corresponde ao período que se segue à queda da ditadura portuguesa e a subsequente independência de Cabo Verde, conquistada a 5 de Julho de 1975. Com a Independência, surge o jornal público Voz di Povo (extinto na década de 90, para ser substituído pelo Novo Jornal de Cabo Verde e, mais tarde, pelo actual Horizonte) e o Terra Nova, ligado à Igreja Católica. Nesta fase, distinguiram-se também as revistas Raízes e Ponto & Vírgula. Mais tarde, apareceram outros jornais privados que ainda hoje se podem encontrar nas bancas, como por exemplo A Semana e Expresso da Ilhas. O Estado assegura o jornal Horizonte e a agência de notícias Inforpress.


A televisão pública surgiu em 1984. No início, funcionou como TVEC (Televisão Experimental de Cabo Verde), depois passou a chamar-se TNCV (Televisão Nacional de Cabo Verde). Mais tarde, com a fusão com a rádio, passou a haver uma única empresa de radio-televisão: a RTC (Rádio e Televisão de Cabo Verde). Actualmente continuam a funcionar como uma única empresa, mas distinguem-se como TCV (Televisão de Cabo Verde) e RCV (Rádio de Cabo Verde). Na área da televisão, o cenário foi alterado em 1997, com o aparecimento da RTP-África, que veio juntar-se à CFI (actualmente, TV5Afrique). Assim, os cabo-verdianos, que só tinham acesso a 8 horas de emissão por dia, passaram a dispor de 24 horas diárias de Televisão em Língua Portuguesa. Já em 2006, o Governo disponibilizou um serviço de TV Cabo, que permite ter acesso a televisão, telefone e Internet.


A rádio nacional teve uma evolução semelhante à da televisão. No início chamou-se RNCV (Rádio Nacional de Cabo Verde). Com a fusão, passou a RTC, distinguindo-se actualmente como RCV. Actualmente, há 8 emissoras de rádio: a RCV (estatal), uma Rádio Comercial (projecto privado), a Rádio Comunitária Voz de Ponta d’Água (ligada a uma organização não-governamental: a Citi-Habitat), a Praia-FM (feita, basicamente, em crioulo), a Crioula-FM (ligada à Igreja Universal do Reino de Deus), a Rádio Nova (ligada à Igreja Católica), Mosteiros-FM (projecto privado) e a Rádio Educativa (dedica-se ao ensino à distância, e é propriedade do Ministério da Educação).


O panorama dos media em Cabo Verde conheceu uma nova dinâmica com o aparecimento de rádios privadas. A maior diversidade de estações radiofónicas, a interactividade, a dinâmica e o espírito jovem são factores que caracterizam essas rádios, que já conquistaram a maior parte da audiência. Ao mesmo tempo, a informação jornalística passou a ser maior e mais acessível, com as versões on-line de jornais impressos. Neste ambiente da Internet, e no sentido de informação a um nível mais abrangente (institucional), Cabo Verde é um dos países dos PALOP que mais evoluiu. Atualmente, a maior parte das instituições públicas e privadas dispõe de uma página on-line.

segunda-feira, março 08, 2010

Manual de Reportagem

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Mestrado em Jornalismo e Comunicação Digital (à distância)


A realização deste Mestrado proporciona os conhecimentos e a experiência necessária tanto para os jornalistas activos, que querem conhecer como as novas tecnologias podem ajudar o seu trabalho, quer para os recém profissionais, que procuram uma maior capacidade para alcançar melhores oportunidades no mercado de trabalho.
Fonte: FORMEDIA

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Governo aprovou vários projectos de propostas de lei sobre comunicação social em Cabo Verde

Cidade da Praia 05 Fev. (Inforpress) – O Governo aprovou terça-feira vários projectos de propostas de lei que consubstanciam o sector da comunicação social em Cabo Verde.
O Executivo, explica a porta-voz do Conselho de Ministros (CM), Janira Almada, quer manter em aberto, com esta aprovação, “o leque de meios e processos relativos comunicação social com especial realce para os meios electrónicos e para as formas multimédias.

Entre as novidades, o Governo introduziu no diploma as publicações online, consagrou o direito de resposta das pessoas colectivas que não estava consagrado, o direito de esclarecimentos, entre outras”, diz Janira Almada.

No âmbito das propostas aprovadas no CM, destaque para a alteração do estatuto do Jornalista. O projecto de lei que será oportunamente reencaminhado ao Parlamento para a sua aprovação.

“Refizemos o conceito de jornalista profissional e também estabelecemos um conjunto de funções que são incompatíveis com a função de jornalista”, declarou a porta-voz do Conselho de Ministros.

Também o Governo aprofundou o tema do sigilo profissional que permite aos jornalistas terem uma participação na definição da linha editorial nos órgãos de comunicação nos quais prestem o seu serviço.

O diploma especifica também melhor o direito de acesso a informação por parte dos jornalistas, afirmou Janira Almada.
Sobre a lei da televisão, o governo dedicou-se “uma especial atenção a televisão por assinatura e comunitária.

A televisão por assinatura já estava regulada por decreto-lei, mas mesmo assim foi consagrada no projecto de proposta de lei a ser encaminhado ao Parlamento.

Em relação a televisão comunitária, Janira Almada disse que o Governo reconheceu o papel que este meio de comunicação social tem no desenvolvimento do país e na formação e educação.

Durante o CM, o Governo propôs abrir a prestação do serviço público de televisão também a pessoas colectivas do direito privado, já que até este momento esta lei apenas consagra essa possibilidade a pessoas colectivas de capital maioritariamente públicos.

No que tange a lei da radiodifusão revisitou-se o diploma para alterar o artigo 3º relativamente ao serviço público, dando aos rádios privados a possibilidade de também prestarem esse serviço.

O Executivo consagrou, igualmente, o financiamento do serviço público da actividade da radiodifusão para permitir que essas entidades que prestam esses serviços também possam competir normalmente com os operadores que desenvolvem as actividades de carácter mais comercial.

O Conselho de Ministros revogou, ainda, a actual lei de imprensa escrita e da agência de notícias e aprovou um novo projecto de proposta de lei sobre esta matéria.

No essencial, este novo diploma mantém o que estava contemplado na anterior lei. No entanto, por uma questão de sistemática de interpretação e aplicação, o Governo entendeu que para os aperfeiçoamentos efectuados seria justificável fazer a revogação do anterior diploma.

A ministra da Presidência sublinhou o facto do Governo ter reforçado a responsabilização civil e criminal daqueles que pratiquem ofensas usando esses meios de comunicação social e que também abarca as publicações electrónicas.

Reforçou-se também a responsabilidade solidária que deve existir entre o autor da ofensa e os responsáveis dos próprios órgãos de comunicação social.

JL

Fonte: Inforpress

domingo, janeiro 24, 2010

Diversidade de Cursos na Comunicação

Uma das causas apontadas para menos vestibulandos interessados em Jornalismo é o número de opções relacionadas à comunicação. Muitos com vocação para cinema e fotografia, por exemplo, acabavam no curso por falta de opção. Existem alguns cursos de graduação e de tecnologia que podem estar por trás do fenômeno.

Graduação

* Cinema/Produção Audiovisual
Elabora e produz audiovisuais artísticos, jornalísticos e documentais para cinema, TV e vídeo. Pode atuar ainda com animação e games. O setor audiovisual (cinema, publicidade e TV) cresce no país, com boas perspectivas para os formandos. O Rio Grande do Sul é um dos polos na área.


* Comunicação Digital
Usa as diferentes linguagens digitais para propor soluções na área da comunicação.
O profissional pode ainda gerenciar negócios ou trabalhar em pesquisa. O mundo digital favorece novas carreiras e oportunidades no campo da comunicação. Há mercado na produção jornalística para desenvolver projetos gráficos e no processo de conservação de produtos culturais e de informação para o meio digital (editoração).


* Produção Editorial
Determina o tipo e o tamanho de letras, o papel e as cores, a paginação, as fotos e ilustrações. Estabelece a tiragem, a época de lançamento e a distribuição de uma publicação. Para isso, supervisiona o processo de produção, controla prazo e orçamento. Pode desenvolver e coordenar projetos editoriais nas mídias impressa, eletrônica e digital. A área de atuação é bastante ampla com a expansão de setores como o didático e o religioso.


Tecnológicos

* Comunicação Institucional
Atua administrando a comunicação institucional e mercadológica da empresa visando à sintonia de interesses com públicos interno e externo. Previsto para os mais diversos setores da economia na área da comunicação em assessoria de imprensa, setores de marketing e administração.


* Design Gráfico
Propõe soluções criativas e inovadoras com o domínio da linguagem e de técnicas que facilitam o processo de produção de livros, páginas de jornal, revistas e publicações e mensagens visuais. A comunicação visual exige capacidade para o uso de materiais, processos e tecnologias.


* Fotografia
Opera equipamentos fotográficos e utiliza técnicas de produção para captar imagens analógicas e digitais. O profissional atua de forma autônoma prestando serviços ou como empregado em estúdios, assessorias de comunicação, instituições de ensino. Pode trabalhar com arquitetura, moda, sociedade, entre outras.


* Produção Audiovisual
Atua na realização de obras de ficção e documentários, tendo como suportes a película cinematográfica e os meios eletrônicos e digitais. O Estado é o terceiro polo de produção audiovisual do Brasil. Nos últimos 20 anos, filmes, vídeos e programas de TV produzidos no Estado conquistaram o respeito da crítica, um bom espaço no mercado nacional.




Fonte: www.mundovestibular.com.br

sábado, janeiro 23, 2010

Carteira Internacional de Jornalista


A carteira internacional de jornalista é da FIJ (Federação Internacional de Jornalistas) e emitida pela FENAJ. Para obtê-la, por exigência da FIJ, o jornalista precisa estar sindicalizado e preencher um formulário fornecido pelos Sindicatos. É necessário ainda, anexar cópia da carteira de jornalista nacional, na validade, e duas fotos 3x4, para a primeira vez, (uma foto no caso de renovação). Ainda para a renovação é necessário anexar cópias da carteira anterior ou o original da antiga.

A carteira internacional é o documento de identificação do jornalista no exterior. O titular da cédula internacional tem benefícios - desconto ou gratuidade - no ingresso de cinema, museus, espetáculos, etc, que variam de país a país. Outra finalidade importante do documento é facilitar o acesso às entidades sindicais filiadas à FIJ e a eventos profissionais. Dessa forma, fica mais fácil encaminhar solução de problemas que possam surgir quando o jornalista está em outro país. O custo da carteira da FIJ é 40 euros para jornalistas sindicalizados em dia e 80 euros para inadimplentes com a tesouraria dos Sindicatos.

Fonte: Federação Nacional dos Jornalistas Brasileiros

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses


Os jornalistas portugueses regem-se por um Código Deontológico que aprovaram em 4 de Maio de 1993, numa consulta que abrangeu todos os profissionais detentores de Carteira Profissional. O texto do projecto havia sido preliminarmente discutido e aprovado em Assembleia Geral realizada em 22 de Março de 1993.

1.O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

2.O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.

3.O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.

4.O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.

5.O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. O jornalista deve também recusar actos que violentem a sua consciência.

6.O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.

7.O jornalista deve salvaguardar a presunção da inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.

8.O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade ou sexo.

9.O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.

10.O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas Portugueses

Ver Também: Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros